Best of me!

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Hoje é dia de festa, pelo menos para mim! E em dias destes devemos comemorar à grande. Os comentários aos posts anteriores ficam adiados até eu recuperar completamente. Divirtam-se, eu vou fazer o mesmo!


Arena

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João Salaviza ganhou a Palma de Ouro no festival de Cannes de 2009 para a melhor curta-metragem. Nas palavras dele: "Eu sabia que queria fazer filmes. Agora sei que há outros que querem que eu faça filmes". 25 anos de talento! Vou lançar uns foguetes e já volto... quem sabe se Portugal não entra assim na corrida ao espaço? :D


Jornalismo de Investigação

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Vivemos num país de aves raras, de aves de caça, de aves peçonhentas, de aves agoirentas, de aves necrófagas e ainda de aves de gaiola, a maioria. Basta mostrar-lhes o pão e piam logo. Um nojo!

Sou apolítico, identifico-me com princípios de vários ideais, da direita à esquerda, pois ninguém é dono da razão e eu muito menos. Esta declaração de princípios é importante para que se perceba que o que vou analisar não me compromete com ninguém para além de mim mesmo.

Hoje vou falar de dois jornalistas; Manuela Moura Guedes e Mário Crespo. A razão é óbvia, o caso Freeport. Não me interessa discutir a qualidade, ou falta dela, de Sócrates como primeiro-ministro. Hoje centro-me nos Média. Sei que a liberdade começa no direito de expressão o que obriga a informação fidedigna e disponível em tempo útil. A violação destes princípios básicos é fácil de desmontar.

Para se compreender o objecto de análise, deixo-vos um texto de Mário Crespo (Jornal de Notícias: Os bons e os maus) e uma entrevista de Moura Guedes no Jornal da Noite (TVI: 1ª parte; 2ª parte; 3ª parte; 4ª parte).

Manuela Moura Guedes e Mário Crespo, e digo-o com desassombro, juntos não dão um jornalista de investigação isento. Se a primeira é caceteira, o segundo é subserviente; quase se baba a cumprimentar os convidados, todos, da direita à esquerda; para ele são todos fantásticos e é sempre um privilégio poder entrevistá-los... será isto isenção?

Agora ele escreve um artigo de opinião onde afirma que Sócrates é um prossecutor da censura do antigo regime. Onde está o bom senso? Não será isto jornalismo sensacionalista encapotado em verbo florido?
Querem ver que ninguém pode processar um jornalista? Porquê? Será que eles estão acima da lei e podem assim manipular ou fabricar informação sem punição? Não vejo o drama em se ser processado, basta a inocência para resolver o problema; o drama é ter-se o labéu durante 5 anos sem que a justiça o resolva e o caso vir a lume antes de eleições. É preciso dizer mais?

Quanto à Manuela, ah! essa intelectual, diva da TV e de fino trato, o que dizer? Já devem ter visto os vídeos da entrevista feita a Marinho Pinto que descamba quando se fala do caso Freeport. Belo, delicioso o confronto entre quem fala com paixão sem perder a razão e um passarinho exaltado, pois não percebe para que lado lhe viraram a gaiola. O piar, esse, é o do costume.

O Marinho Pinto, que conheço mal, é o arauto na exposição das falhas da justiça, embora diga muitas vezes as coisas certas da forma errada. Nas palavras dele, que faço minhas, “o caso Freeport é uma cabala meramente política”, independentemente de se “gramar” ou não do Sócrates.

Depois disto, e não fosse o exagero do Marinho, diria que houve um erro de casting; de facto, ele não devia ser o Bastonário da Ordem de Advogados (classe onde os Bastonários são vilipendiados pelos seus pares, a começar pelo Júdice), mas sim Provedor da Justiça. Duvido que a maioria dos portugueses saiba para que serve tal cargo, o que foi feito e quanto custou. Pois é, gasta-se tempo e dinheiro para substituir um ex-governante do PSD por outro da mesma cor e que devia defender o cidadão das injustiças do Estado, mas que fará tanto como o seu antecessor...

Conclusão: Chegámos a um ponto onde é mais importante vender informação do que vender conhecimento. A informação descontextualizada não passa de especulação e o português básico “papa” o que lhe dão, literalmente! Porquê? Porque estas notícias têm audiência, leia-se, vendem; i.e. há quem as compre...



Para desenjoar do meu texto, música para se dançar sem pensar muito!


P.S. Para que não se pense que sou rosa ou de outra cor qualquer, pergunto, para quando a destituição do incompetente Governador do Banco de Portugal?

Nota: um blogue é para mim uma porta para debater ideias, transmitir sensações, partilhar conhecimento; i.e. dar um pouco de nós. Confesso que não tenho escrito muito sobre a Sociedade, mas devo, pois não me demito de partilhar o que penso. Fico desencantado com tantos comentários aos meus textos ficcionados e quase nenhuns aos de análise social. Será que os meus comentadores são poetas, andam na vida por andar ou têm medo do contraditório? People, este blogue continua se houver quem pense comigo, caso contrário vou pensar para o WC... :D

Pensamentos meus

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A felicidade e a maldade têm algo em comum, são ambas contagiosas!





Nota: este é um pensamento e não um estado de alma.

Flash

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Deito-me, deitas-te, deitam-se,
sim, conheço-te há muito, muito pouco,
a ti, às outras, aos outros em ti, de ti;
viro-me, esqueço-te, esquecem-me,
na brevidade de palavras por dizer,
em conquistas sem sangue nem dor,
em verdades simples, tão simples
que tememos complicá-las; deito-me
e no alcance das mãos tenho-me a mim,
no silêncio do eu, daquilo que não dou
nem quero, naquilo que não sou nem posso;
olho as mãos por outras mãos tocadas
em viagens cúmplices e comprometidas,
algumas, outras de enganos pensados ou
inconscientes; deitas-te, procuras-me
e nas minhas mãos não sentes, não,
o sol e o vento que as moldaram,
o verde e o azul que por elas correram,
por elas, as mãos, as outras, tão breves
como as tuas de outros em ti...


Pensamentos meus

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Num mundo de sonhos só há heróis!



Quando começar a reprodução cliquem em HQ para melhorar a imagem e o som. O símbolo ficará a vermelho para identificar a reprodução em High Quality! Se aparecer algum spot publicitário sobre o vídeo basta fechar a respectiva janela. Infelizmente o Google já começou a rentabilizar o Youtube...
Este vídeo é sublime, foi filmado com a técnica Stop Motion.

Alucinações e outras miragens

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Sinto o copo a escorregar lentamente da mão. Não ofereço resistência; a percepção do acto vai perder-se no sono que me conquista. O álcool povoa-me as veias e o sonho vem em espiral.
As imagens sobrepõem-se umas às outras numa cadência publicitária sem mensagem ou alvo. As cores fortes dão agora lugar a arrepios azuis. O copo cai no meu colo e rola sobre a perna para o chão. O pouco whisky que sobrara marca em ziguezague as minhas calças. O azul abre-se em leque numa explosão de cores com o estilhaçar do copo na perna da mesa. Do eco faço a música que marca distintamente uma conversa entre dois estranhos.
Estão agora mais próximos; sim, conheço um deles, é alguém familiar e profundamente sentido. Olho-a de frente e reconheço-lhe os trejeitos, não mudara. Estendo-lhe as mãos para a abraçar e agarrei o vazio. Os sentidos libertam-se para dar lugar ao descanso imperturbável. Longe de mim acreditar que por detrás do paraíso há uma vida real.


Pensamentos meus

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Temos 10 dedos nas mãos para podermos contar os nossos amigos!






Por falar em mãos; clap your hands, rock the house!

Amnesia ou Prestige em Ibiza, what else? Sintam o Verão!

The twilight zone

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Introduzo uma nova rubrica no melhor género de Kubrick. Encontrem vocês o sentido, se é que o tem, mas vou mostrar-vos o que neste mundo descubro e que me surpreende ou intriga.





Tradução livre à espera de um/a russo/a que me corrija!

Tu deste-me rosas
Rosas que cheiravam a absinto
Sabias todas as minhas músicas
Movias os lábios
Que se perdiam na calada da noite
Não evitavas a emboscada
Nem respiravas
Calmamente para o telefone

Nós estávamos escondidas em automóveis
Indiferentes a taxistas
À noite em estradas
Interrompidas em quartos
Tu amas o frio
Enregelada em uísque
Apertas suavemente as
Mãos quentes
Tu amas o frio
Enregelada em uísque
Apertas suavemente as
Mão quentes
Sobre ...

E então era Verão
É perdoar e saber
Estou contigo em sangue
Nós num celeste sangue
Os teus jeans esfarrapados
E bochechas mongóis
Tu eras o meu segredo
Minha querida
Os teus jeans esfarrapados
E bochechas mongóis
Tu eras o meu segredo
Minha querida

Os teus jeans esfarrapados
E bochechas mongóis
Tu eras o meu segredo
Minha querida
Tu eras o meu segredo
Minha querida
Tu eras o meu segredo
Minha querida


A versão em inglês (instrumental...) seria algo assim:

Hahahahahahaha!

A Lisa prefere a próxima versão. Aliás, confesso que a original não deixa de ser a original, mas esta versão tem um vídeo que é mais condicente com o russo. Por isso, fica aqui para comparação.



P.S. Nochnie Snaipery era um dueto muito famoso na Rússia que agora acabou. Duas lésbicas assumidas; esta música é sobre a sua paixão.

Best of me!

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Serão dias, só alguns, poucos, mas os bastantes para me manterem na expectativa. Depois viajo da melhor forma, voando sobre o mar. Não, não sou novato, eu e os Açores já nos entendemos há meia dúzia de anos. E se foi por uma mulher que me levei até ao paraíso, foram outros argumentos que me fizeram apaixonar. Ela faz parte da minha história, com a reverência que nos merecem as pessoas de quem gostámos; as ilhas, pelo contrário, ainda as amo! E é uma paixão que cresce, que se alimenta da minha ausência, que se reforça quando as encontro, que me sufoca no momento do adeus. Haverá poucos locais no planeta onde a minha simbiose com o espaço seja tão perfeita.
No início será São Miguel, a maior, a mais eclética, a mais rica e mais pobre, cheia de contradições, feita por burgueses pois a nobreza descansa na Terceira, berço da primeira capital.
Vou trabalhar, passear e mergulhar. Não posso pedir mais! As noites serão repartidas; para guardar o fato pernoito num hotel; para andar de sapatilhas durmo na natureza! O primeiro é repetição, pertence à família Bensaúde de apelido e riqueza; o segundo será uma premiére e é de um amigo que teve o bom gosto de criar uma escola de mergulho. Barco não falta, o mar espera-nos. Tudo perfeito, nem o tempo poderá estragar o postal!










Pôr-do-sol na Ribeira Grande, frente ao restaurante Alabote; fotos minhas em aproximação. Memórias da última viagem; corrijo, da viagem anterior pois a última, essa, não sei quando será.

Pensamentos meus

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O tempo é um cirurgião plástico com um sentido de humor duvidoso...







O que terá o tempo feito a estes senhores que se separaram em 1996? Provavelmente a melhor banda de rock espanhola; é fácil rever os INX... confesso que amo Espanha, a movida, as tapas, tudo... mas não sou Miguelista! Para ouvir alto, muito alto como se estivessem no Ibiza Ku Klub... hoje chama-se Privilege Club e eles dizem que é o maior do mundo. Que se lixem os recordes, o que eu preciso é de FÉRIAS!


Nota: os comentários estão a ficar muito gay e "yo soy muy macho"! Partilho a maior "bichanada" que me enviaram por email. Ou chorava ou ria! Hahahahaha! What, what? :D

O olhar

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Eu não parei de olhar...



Já se falavam há semanas, dias que se repetiam com mais intensidade. O desejo de se verem era cada vez maior e o tempo só ampliava esta curiosidade incontrolável. Ela seria muito mais velha a avaliar pelas fotos, embora tivesse um glamour irresistível. Os olhos estavam sempre tapados por jogos de sombras ou óculos de sol, qual muçulmana envergonhada em se expor. Ele, na casa dos 30, não era um Adónis, mas tinha um ar malandro que se esbatia na conversa franca e humorada.

E foi assim que ela o conheceu, por detrás desta virtualidade, conversas na net em que cada um aprendeu o outro pelo que este disse de si. O risco era grande, uma aventura onde as fronteiras do razoável foram ultrapassadas pelo clima de confiança que ambos construíram. E se ela temia o encontro, que o decepcionasse, era ele o mais relutante pois receava ser imaturo. Como reagir, como dar um passo em frente, como quebrar este gelo que nenhum desejava?

Seriam 7 horas, não mais, mas a luz já entrava de rompante pelas frestas da persiana. O acordar é sempre inesperado, quase um milagre, e ele abriu os olhos lentamente na surpresa do despertar. Nos contornos da luz, mesmo à sua frente, ela acordava de um sono que ele não queria interromper. Os olhos, esses, encontravam-se escondidos por uma madeixa de cabelo que se intrometeu entre eles, como que a negar que ele a visse, que confirmasse o acordar.

Os gestos indeléveis, primeiro a mão e depois o tronco, denunciavam que ambos se iriam encontrar, que o confronto seria inevitável. Ele pegou no lençol que pendia parcialmente no tronco dela e deslizou-o até aos pés descobrindo o soberbo, algo que lhe provocou um sorriso que ainda não conseguia evitar. De seguida, embevecido com o cenário, preparou-se para o inevitável, para o renascer do sonho que vivia. No meio de uma expiração intensa a madeixa acabou por se deslocar parcialmente. Os olhos verdes miravam-no directamente com uma doçura indisfarçável. Agora sim, confirmava o olhar. Era ela, nada mudara. Este era um ritual que repetia há alguns meses, como quem se deslumbra quando descobre algo novo, belo, inusitado e que lhe fora negado por tanto tempo. Era este olhar que lhe dava vida, foi ele que quebrara o gelo.



Johann Baptist Reiter, 1849.

Pensamentos meus

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A beleza é uma arma poderosa, mas só tem uma bala... as outras estão nas palavras!




A net oferece-nos imagens fantásticas... aposto que esta é da Susan Boyle; haverá maior prova?


Nota: sendo o tema as palavras, não resisto em falar-vos do meu novo brinquedo; imprescindível para quem quer ganhar tempo, para quem sabe que um teclado é uma limitação, para quem não se quer desfazer do moleskine, etc.; IRISNOTES. Comprei-a na loja da Pixmania no Saldanha Residence (Lisboa), mas vendem no site. Uma das maiores invenções depois da roda! :D

Liberdade

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(se este texto tivesse música... poderia ser esta)


Pegou no cinzel e começou a esculpi-la. O mármore estava em bruto e nada indiciava que pudesse conter tamanha beleza, tamanho segredo. As primeiras pancadas fizeram-lhe tremer as mãos. A pedra era dura e ia obrigar a redobrado esforço. Nada o faria vacilar, afinal ele queria vê-la, senti-la.

Afastou-se um pouco para perceber a forma que dali brotava. Ali estavam os dois, pedra e escultor num descanso próprio de quem se estuda. Num gesto ameaçador ele avançou para o mármore e saltou para cima dele. Os veios da pedra pareciam latejar sob as suas botas gastas. Pediam-lhe luta, que a dominasse, que a tomasse sem pudor ou hesitação.

Num impulso impensado martelou a pedra com um golpe certeiro e sentiu-a ceder de mansinho. O rasgo quebrara a pedra em duas. O pedaço menor deslizou do topo e foi estilhaçar-se no chão; no impacto o apêndice explodiu em pequenos fragmentos que coloriram o soalho com um pó branco. Para evitar a queda, saltou para o solo em desequilíbrio num reflexo felino. Nas costas, uma lágrima de suor escorreu para lhe lembrar que tudo tem um preço.

Não iria desistir. Não agora que a pedra ganhava forma. O cinzel voava freneticamente nas mãos inspiradas por um sonho, vê-la ali! E a pedra ia deixando cair o casulo para despertar a crisálida. As mãos, essas, doíam-lhe de tanto moldar. Sentia agora o exercício em slow motion; a dor acompanhava o cinzel em movimentos circulares que caiam sobre a pedra. E no movimento de regresso a dor tornava reforçada, como se a pedra a alimentasse num grito desflorado.

Parou, olhou-a novamente. O cinzel escorregou-lhe da mão e ao cair no chão deu duas piruetas que ele acompanhou com os olhos meio absortos. Não podia ser, não fora ele que fizera tamanha beleza. Ela, nua e alva, enfrentava-o deitada sobre um dos lados, como se tivesse estado sempre ali à sua espera. A mão dele acompanhou-lhe o perfil e o frio da pedra apertou-lhe o peito no desejo de mais vida, como se implorasse por alma.

As roupas caiam agora desordenadas ao seu lado. Ambos nus, ambos crus. Abraçou-a e, deitando-se ao seu lado, colocou-lhe uma perna por cima como se a pudesse ter mais assim. Os lábios dele procuravam agora os que criara. E assim ficou num torpor enamorado.

Fechou os olhos e sentiu, o coração que batia não era o seu. Abriu os olhos; não, não podia ser! Os olhos não lhe obedeciam, estavam selados e não abriam. Tentou afastar-se, mas não, os corpos estavam cravados. Um arrepio percorreu-lhe o corpo, sentia a força dela a aprisioná-lo. A emoção deu lugar ao medo e se a quis, não a queria agora mais.

Abriram a luz. A profundidade do atelier era recortada por sombras que o pequeno candeeiro não conseguia alcançar. Ela olhou a obra; meses de trabalho que as mãos não enganavam. Avançou e destapou a escultura coberta por um velho lençol. Ali estavam os amantes tal e qual os imaginara.




Antonio Canova


Nota: este é um texto antigo, mas apeteceu-me recordá-lo.