The prophecy

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(acompanhar com o vídeo... foi assim que foi escrito)

Não sou religioso no sentido profético a que a maioria aderiu. Não me considero superior, olho somente de forma própria para que a diferença dos outros não me traga desalento ou revolta. Sim, onde há uma verdade há sempre superioridade desta face a todas as outras... poderá haver mais do que uma verdade, várias, várias verdades? Ahhhh... como somos tolos, inseguros, absurdos, timoratos, encurralados no medo perante a diferença, assustados quando confrontados com o fim absoluto sem data marcada, como se a nossa eternidade fosse uma necessidade imperiosa de um universo pequeno sem mais vida que o justifique... como somos tolos... há um universo a rir-se de nós na mentira de um céu que já não existe, fotografia de tempos que já foram e que nunca entenderemos. O futuro já foi, falta-nos gozar o presente e este, caro humano, é a contemplação de tudo, a alegria de sentir com todos os sentidos que dispusermos; as limitações serão as da nossa consciência e as fronteiras da liberdade dos outros; e entre todos os sentidos, todos, a emoção é o sentido!



Uma profecia vê-se em fullscreen e ouve-se com auscultadores como se fosse um vinho, com a degustação própria do deleite. As imagens serão, eventualmente, chocantes para alguns. Eu sou hetero, mas reconheço o belo no mix da fotografia, música e narração. É incrível a força que se pode dar a uma ideia! Perigosa, quase manipulação, mas intensa.


Nota: depois de verem o vídeo podem ver a foto que serviu de leitmotif. Elas aparecem somente nos extremos da foto; tal como na Bíblia, fala-se pouco na mulher infelizmente... (no novo testamento não chegam a 100 as referências a Maria).

Genéricos...

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O Alzheimer não é doença, mas sim a maior invenção do homem!
- Onde está a tua mulher?
- Perdi-a...





Nota 1: ok, a piadinha é minha... também tenho os meus maus momentos! :D

Nota 2: um amigo ficou sensibilizado porque a mãe tem Alzheimer. Lamento. Contudo, fazemos diariamente piadas sobre os outros, geralmente sobre as desgraças deles... é humano e, nesse caso, pior pois particulariza a pessoa. Aqui não particularizei, pelo que se há mau gosto foi por ignorância, mas não me parece, mas compreendo.

Faces do tempo

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Apeteceu-me, ó se me apeteceu; tirava a roupa, deixava de olhar e numa corrida louca saltaria para a ribeira! Consigo imaginar-me a flutuar entre o momento em que me lanço e aquele em que a água me acolhe, fria, esverdeada nos reflexos dos pinheiros que a emparedam numa formatura impecável, quase militar, deixando o xisto mostrar-se em pequenos socalcos aqui e ali, para que não se esqueça que nem a pedra resiste ao desgaste, ao encontro da natureza com o seu destino. Olhei a ribeira mais uma vez antes de regressar ao carro. Recordei a face do que fui, o rosto sem mácula próprio da idade, o olhar decidido e a vontade de sonhar que nunca perdi. Eu não teria mais de 10 anos, nada sabia; menos ainda, sabia que o que sabia era tudo o que precisava para ser feliz ali, naquele momento, naquele salto; eu e a ribeira, uma criança e a vida!




Ribeira de férias,
ribeira de sonhos...

avós, queijos, pão,
geleia, frio e carvão;
cabrito, tigelada, azeite,
vinho, festa e enfeite;

Ribeira d'outrora,
sonhos d'agora...

Urso

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Há muito que não dormia assim. Hibernara, nada que me fizesse mal, mas a estonteante dor de cabeça não passava. Sim, que isto de dormir demais traz mais mazelas do que sorrisos. Enfim, acordei, dizia. Primeiro foram os pés, esses ficam sempre de fora. De fora do lençol, do colchão, das boxers... de fora de mim! Preciso olhá-los para ver até onde vou. Imenso, sou imenso, e no entanto eles estavam mesmo ali, frios, enregelados, à espera de caminho que os aqueça! Que se lixe, pensei, eu ainda não acordei, e retornei ao sonho que não estava a ter mas que desejava. Mar, barco, um colchão de napa branco sobre o convés, e entre mim e o sol só o ar quente e húmido da Tailândia. Tá tá rá tá tá! Entreabri um olho e disparei, "querem ver que a guerra me veio recrutar?". O despertador tocou com todos os pulmões que um relógio de pulso almeja. Desisto, pensei, antes um duche frio. Levantei-me e num passo mecânico dirigi-me para a casa de banho. As primeiras gotas não fizeram mossa, nem as senti. Claro, ainda não tinha aberto a torneira, mas sonhava com banho! Num raro momento de clarividência optei pelo "inharro", ficaria porco. Regressei ao quarto, vesti o traje da véspera com algum nojo e muita pressa e fiz-me à rua. Os pés, esses, agradeceram. Depois foi caminhar contra a luz da manhã, penoso, sem óculos, no lusco-fusco que os meus olhos semi-serrados me ofereciam. Entrei no café e sentei-me. No meu melhor português - sim, porque de manhã torno-me disléxico - disparo: uma bica curta e um pastel de nata. O empregado, embasbacado, retorquiu: sorry sir? Are you feeling well? Porra, estava há um dia em Londres e nem me lembrava!



What?

Ilusões

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As noites começam a ficar mais quentes, as cores mais vivas, os sabores mais intensos, os cheiros mais inebriantes, as ruas mais cheias, as bebidas mais voláteis, os rostos mais alegres, as conversas mais desconexas; na noite são os sons que valem por mil palavras, ilusões em tons mesclados nas conversas ritmadas pelo entusiasmo do momento, palavras ditas e desditas, perguntadas, desejadas, esquecidas, evitadas; ambientes onde a alegria da conquista vagueia paredes meias com a mera observação de outros, por vezes perplexa, outras doentia, outras divertida; luzes psicadélicas que realçam detalhes instantâneos, vagos, olhares, insinuações entre ingénuos e predadores, normais e provocadores, novos e velhos, muitos e poucos, sós e acompanhados; inseguranças e fantasias, cigarros e charros, álcool e comprimidos, solidão e violência; a noite é bipolar, a felicidade é um cartão de consumo!





Para quem gosta the Trance, deixo-vos aquele que foi considerado o melhor DJ em 2008 pela revista DJ Mag. Armin van Buuren, ouçam e percebam porquê. A votação completa dos leitores pode ser vista aqui!. Um sucesso destes tem site próprio com podcast e outros mimos.





Para complementar o texto, fica este Burned with Desire! Vendedores do templo para alguns, gerações em busca do fácil, intenso e imediato para a maioria. Questionável, certamente, mas que é incontornável, é! Não se questiona um terramoto!


The Voca People

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A melhor forma de expressar a minha total frustração por não ter voz... é mostrar-vos algo que ainda estou a digerir. Aliás, acho que vou levar a Páscoa toda a digerir este Ovo de Colombo! Enjoy!





Páscoa, quadra de milagres, leva-me a desmistificar outro: O galo, desconfiado, foi falar com o coelho da páscoa. Este, assustado, abriu o avental e exclamou, "são de chocolate, senhor!"

Busca

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(um texto ficcionado, como tantos outros)

Não sei quando começou, nem sei mesmo se aconteceu. A minha memória baralha-me com cores, momentos, sons, imagens que vejo num caleideiscópio que parece não querer parar nem mesmo ao acordar.
Recordo-me; recordo-me de ter olhado de frente, primeiro a medo, depois com a estranheza de quem se vê sem se ver. Olhei ao redor e reconheci o local, era agradável, quase familiar. Olhava-me agora novamente de frente, sim era eu, eu, este ser imperfeito que nunca deixou de se impressionar com o que via. Hahahaha! Os detalhes, como eu me castigava com os detalhes... agora indiferentes. Mas que procuro eu, sei que procuro, mas não há detalhe que me faça parar ou questionar.
E assim foi durante dias, meses, esqueci-me de contar.
Hoje, logo hoje, olho-me como quem não se reconhece. Feliz, era isso, recordo-me agora, eu era feliz e sabia-o. Mas como regressar, como conquistar o trilho que se escondeu no movimento das dunas? Olhei-me como quem aprecia o que vê, um homem na procura da solução... a barba por fazer, aquele ar de quem tinha perdido um dia, talvez dois.
Era isso, definitivamente. Iria deixar-me levar por este ar dessarrumado, desalinhado com a linhagem que me fez, iria perder mais dias, tantos, mas tantos que iria regressar, sim, regressar ao homem feliz que fui!





A Páscoa fala de ressurreição, esta estória também... há milagres todos os dias!

"Françamente"

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O Bob Synclair é um fenónemo. Um DJ francês com sensibilidade anglo-saxónica é quase tão exótico como um alemão criativo ou um russo extrovertido.
Os franceses sempre me impressionaram; se os albaneses podem estar a mais no Kosovo, os franceses estão a menos em França. A maior figura da história francesa nasceu na Córsega e tinha como primeira língua o italiano, a maior obra de arte foi pintada em Florença e o busto da república, símbolo máximo da nação, é de uma italiana que obteve nacionalidade francesa; i.e. , e por ordem, Napoleão, Mona Lisa e Leticia Casta. Os franceses têm “un je ne sais quois” de italianos...
Mas falemos de música; há os que gostam de branco e do Roberto Leal, há os que preferem as encenações do transe religioso entre gritos e desmaios numa qualquer Igreja ao ritmo da dízima, há os que preferem o recato de tudo e de todos para apreciarem temas demasiado sofisticados, há ainda os que são levados pela multidão sem perceberem bem para onde vão, há de tudo, mas o importante é sentir as vibrações...
Para quem ainda não dormiu, desejo-vos um óptimo domingo pois uma directa só se interrompe por trabalho e esse só virá amanhã! As oscilações, essas, continuam nos meus canais auditivos a recordarem-me que tudo tem um preço... mas afinal o que é que ela queria? Oscilei! Next song...



!Demasiada movida, lo sé, pero la semana que viene será en Nueva York!


Há outras do Bob Synclair que adoro, mas alguém se apercebeu da pérola musical no post anterior?

SOPRA NOS

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Para quem leu o post anterior deixo aqui a minha compreensão e solidariedade. Reli-o e percebi que há coisas que nunca se devem escrever pois não haverá engenho ou arte que as explique. Apeteceu-me, que querem? Regresso agora à minha forma diabólica …


~
Onde pára o aprendiz?




Enredo,realização, actores e uma banda sonora do além!

Basta esta série para se compreender em pleno a natureza do homem...

Emotion equity

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Caminha-se para um ponto-de-fuga e tudo diminui por erro de perspectiva. Há que tirar partido da nossa periferia; onde os outros nos fazem pequenos nós seremos grandes. Devemos, assim, aproveitar o efeito surpresa pois este tem sempre reflexo emocional; está tudo na atitude! Num mundo em convulsão será o capital emocional da nação a ditar a diferença.





O AICEP até consegue acertar de vez em quando. Vejam esta apresentação fantástica! Façam o "download" do ficheiro em pdf. (cliquem no ficheiro pdf e, depois de abrir a nova janela, cliquem em "click here to start download")


Há "posts" curtos cheios de conteúdo. O maior desafio é tornar simples uma ideia complexa. Esta foi a melhor síntese que publiquei aqui, na minha ignorante opinião. Vou deixá-la amadurecer, como um vinho aberto para degustar mais tarde. Deixo uma imagem, pode ser polémica mas tem atitude.