Viver sem crise...

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Não há nascimentos mas só planeamento... poupa-se nas responsabilidades,
não há estudos mas só diversão... poupa-se na educação,
não há trabalho mas só estágios... poupa-se nos despedimentos,
não há amigos mas só conhecidos... poupa-se nas desilusões,
não há namoros mas só relações... poupa-se nas emoções,
não há casamentos mas só noivados... poupa-se nas famílias,
não há filhos mas só sobrinhos... poupa-se nas disponibilidades,
não há divórcios mas só separações... poupa-se nas partilhas,
não há velhos mas só novos... poupa-se na sabedoria,
não há mortes mas só despedidas... poupa-se nas memórias,
não há crise mas só mudança... poupem-me!





P.S.1. Este post é uma pequena reflexão desapaixonada sobre a crise... a música é o meu estado de espírito para o fim-de-semana; "move yourself, shake yourself..." e assim vou para a Serra da Boa Viagem; a praia servirá para passear, a serra para "bicicletar", a piscina para nadar! Sem crise! :)
(parece-me que não, dizem-me que há chuva! :D)

P.S.2. O remix é baseado na música soberba dos Yes com o mesmo nome. Fica aqui o link para quem quiser relembrar ou para quem quiser conhecer. Enjoy!

Conversas d'amor

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Ela: grande porco!
Ele: leitão, por favor! Temos de nos conter nas palavras...


Let's stay together

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Alguém conhece o Al Green? Um homem muito à frente do seu tempo e não falo só musicalmente, mas também no optimismo que passava às letras que cantava.

Vivemos tempos fáceis onde tudo e todos são descartáveis. A globalização trouxe-nos ferramentas, disponibilidades e crises que não são mais do que reflexos de nós próprios.

Hoje, falar em fidelidade ou num amor para toda a vida soa a alguém ultrapassado pelos acontecimentos, desadequado à realidade e, manifestamente, um ente utópico. Nada mais errado, será certamente alguém à frente do seu tempo e que sabe que entre os homens são os detalhes que mais os separam, nada de substantivo.

Usamos a história, o passado, não só para nos enaltecer mas também para nos dividir. É tão fácil hipotecar a felicidade.





P.S. Esta música foi um hit em 1972, como posso eu lembrar-me eu dela? :D Mas será impossível não sentir a força da voz e do ritmo, é tudo alegria!

Uncensored guitars

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Vou partilhar convosco alguns dos melhores Riffs que conheço. Alongar-me-ei nas respostas aos vossos comentários... se conseguir estar à altura!












To be continued


Nota: não toco guitarra, só piano e mal, qualquer ajuda é bem-vinda!

Conversas d'amor

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Ele olhava-a a dançar enquanto degustava lentamente a bebida gelada. Ela, apercebendo-se, vem na direcção dele com um sorriso indisfarçável.

Ela: ... eu não te posso dar o que queres!
Ele (sorrindo agora): e eu não quero o que me podes dar...

Ele afastou-se lentamente e foi dançar algo providencial. Ela, que ainda não perdera o sorriso, ficou a vê-lo a dançar. A música era esta!





P.S Este post está programado para as 2:30. Estarei na noite, um facto; só não sei se a beber uma bebida gelada se a dançar...

La vita è bella!

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Na Venezuela, país com expatriados portugueses que da Madeira (essencialmente) rumaram à procura de novas oportunidades, nem tudo é mau! Para além do louco que comanda os destinos do país, há quem antes dele se tenha preocupado realmente com os pobres.

A história que vão ver, se ainda a não conhecem, é comovente e espantosamente contagiante. Há coisas verdadeiramente poderosas, sim, poderosas, adjectivo que vem de poder e que aqui utilizo no seu sentido mais nobre; o poder de melhorar vidas, de criar sonhos, de dar esperança a quem se podia conformar ou perder pelas melhores razões, a pobreza.

El sistema, criado por José Antonio Abreu, é de longe o maior projecto musical de âmbito social a nível planetário. Um estrondo que merece pompa e circunstância, adoptado pela Unesco como modelo a seguir. Uma ideia de génio. Este homem merece o prémio Nobel da Paz!

Mas quem é José Antonio Abreu? Nasceu em Valera em 1939 e estudou economia. Tem um doutoramento em economia petrolífera e fez algumas pós-graduações nos EUA. Foi ainda deputado, professor de economia e direito, e ministro da cultura.

Mas como se ligou ele à música? Em jovem estudou piano no conservatório de Caracas, em 1967 recebeu o prémio nacional de música sinfónica... só!

Foi em 1975 que fundou "El Sistema", formalmente conhecido como A Fundação para a Rede Nacional de Orquestras de Crianças e Jovens da Venezuela. Este é um método educativo inovador no qual a música é o veículo principal para a melhoria social e intelectual das crianças e jovens. Deste modelo já surgiram experiências em Espanha, América Latina e EUA.

E agora vejam o vídeo que eu já vos falo. Enjoy!





É impossível estarem indiferentes, não tenho leitores desses! :)
Confesso que ver um coro com surdos-mudos foi surpreendente.

Pensam que já viram tudo, não, ainda não. O maestro que aparece no vídeo nasceu depois do projecto começar, tem hoje 28 anos e é considerado um dos maiores maestros da actualidade, Gustavo Dudamel. Aclamado na Europa, EUA, Japão e sei lá mais onde?!

Gozem agora este trecho da West Side Story de Bernstein. Aviso à navegação; gozar em português é desfrutar, mas neste caso, brasileiros, usem o termo à vossa descrição!





Foi a primeira vez que vi uma orquestra a dançar nas cadeiras enquanto tocava. Eles não são só uma equipa, mas sim a soma de individualidades. Do além!


P.S. Para quem quiser saber mais sobre este projecto, mas agora em francês, fica aqui a explicação definitiva do "El Sistema". Primeira parte; segunda parte. Verão no final um ensaio improvável.

Divulguem este projecto, precisamos de uma iniciativa assim! Não falo só de música erudita, mas de toda a que possa motivar as crianças. Falem aos amigos, professores, decisores, a todos... esta é uma ideia que vale, pelo menos, um século!


P.S.2. O Blogger é perfeito. Post agendado em 9 de Junho... estou a dormir, seguramente, no Algarve!

Eu penso, tu pensas, ele pensa... pensemos!

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Prólogo: Num discurso breve, discorro das empresas ao sentido da vida. Uma viagem à inovação.


É possível gerar boas ideias, fazer com que as empresas portuguesas utilizem melhor um recurso escasso, a criatividade?

Algumas já o fazem! Aliás, muitas de forma absolutamente fortuita. Por exemplo, o diferencial que obtivemos como nação com o multibanco só foi possível com a nacionalização dos bancos. Não tivéssemos tido essa aberração societária e hoje teríamos um sistema por banco, à semelhança de muitas outras realidades comezinhas.

Alguém tinha pensado nisto? Vivemos num país em que se desconhecem os grandes números, em que conversas de café se transformam em verdades científicas absolutas. Basta um jornalista por perto...

Aliás, a própria ciência é uma abstracção, algo que inventámos para nos justificarmos. De facto (postulado), não há factos mas sim observações, não há leis mas sim interpretações.

Parti um copo. Ok! Um facto? Não! Tu não viste, mas admites. Eu observei-o, mas nada garante que a minha observação esteja correcta.

Ah! E se a lei é determinante, conclusiva e sem margem para especulação é, assim, a antítese da evolução. Quantas leis são postas em causa? Será a velocidade da luz constante? Na verdade, o que fazemos são interpretações sobre observações, daí o erro, daí esta constante necessidade de evoluir.

Num estudo recente concluiu-se que só 2,6% da população contribui para o avanço da humanidade. O resto são ruminantes, serão? Não, mantêm a máquina a funcionar, preferem um papel definido a assumir risco.

O espantoso, em jeito de conclusão, é pensar que os génios já não fazem sentido pois a comunidade global interage como um todo, sendo ela própria um génio que produz avanços inimagináveis. Contudo, "la piéce de resistence" é a criatividade, algo que o QI não avalia e que é a chama que desencadeia a queda de um dominó que só espera um empurrão. A genialidade será sempre o gatilho desta evolução mais globalizada, mais acelerada, mais arriscada.

A criatividade é o recurso mais escasso pois é dele que inovamos, que evoluímos, que encontramos as respostas para as nossas angústias. Haverá maior criatividade do que inventar um Deus? :)




Branco e porquê, porque não tem solução... já está resolvido! ;)


Nota: esta reflexão tem dois axiomas.

1º axioma: conversa entre um administrador e um director:
Dir: não vou fazer isso assim porque sei que não funciona, tenho 18 anos de experiência!
Adm: equívoco seu! O senhor tem um ano de experiência e 17 de fazer merda...

2º axioma: na vida, o que interessa não é a experiência mas sim os casos de sucesso.



Smooth jazz para rádios e não só... relaxe total! O sax é a voz...

Conversas d'amor

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Ele: diz-me coisas doces...
Ela: acabei hoje a caixa de chocolates!


Pensamentos meus

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Nenhuma expressão é editorialmente livre, ela será sempre censurada pela nossa consciência... o que se escreve é o que sobra!


Milgram experiment

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Disse-vos há alguns dias que a maldade pode ser contagiosa. Hoje vou mostrar-vos uma experiência perturbadora em que se demonstra que a maioria das pessoas mata sob comando; i.e. não há limites quando há obediência à autoridade.

As experiências de Milgram são lendárias.



O vídeo anterior é meramente ilustrativo da experiência. Contudo, vejam agora este vídeo em que os candidatos não sabem que a experiência é um engodo. Acho que não preciso dizer mais nada.

Comentarei depois as vossas observações. Este é o post mais perturbador que aqui coloquei. Aliás, este tema é verdadeiramente polémico. Sei que aqueles que não conhecem o assunto se irão questionar sobre si próprios.

Até onde irias tu?





Nota: é obrigatório ver o vídeo! Imperdível!

ab absurdum

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Ela não teria mais de 26, 28 anos. Tinha uma daquelas belezas que não se reconhecem de imediato, mas que nos vão arrebatando à medida que os detalhes se vão revelando. Quantas vezes, quantas, senti a surpresa agridoce de olhar uma estranha tal a novidade de um gesto, de um olhar, de um sorriso? E as palavras? Algumas ditas, outras que escondia num jogo subliminar para que se pudessem adivinhar ou não consoante o seu desejo. E os meses foram passando nesta admiração permanente, um enamoramento estudado, quase provocado não fosse a minha rebeldia cigana.

A distância que nos separava quebrou-se como por destino para que tudo fizesse sentido. E do esporádico fez-se rotina, não uma modorra monótona, antes a rotina do imprevisto. Não houve um dia igual, algo que se programasse com mais de uma semana de distância. Nem as férias. E nesta inconstância que me cativava sobrava algo verdadeiramente diabólico, imprevisto, que a minha curiosidade não tinha descortinado.

O livro repousava sobre a cadeira Philippe Starck laranja transparente que sobressaía no confronto com a parede alva que lhe sucedia. O volume fora ali deixado intencionalmente para que lhe pegasse, hoje estou certo que sim. A cadeira, essa, serviu-me de assento. Folheava agora o livro do curso de psicologia de uma faculdade qualquer com a calma que se tem quando se espera alguém que ainda dorme. No hotel seria eu e o recepcionista quem despertava a manhã.
Não reconheci ninguém; caricaturas, poemas, pensamentos que os amigos iam deixando nas memórias de cada finalista. Na dobra da página 91 veio o embate; primeiro a sensação de algo familiar, depois o sabor azedo que me percorreu a língua em simultâneo com a dor involuntária no abdómen. Não estivesse eu sentado e teria caído.

O retrato era o meu, mais novo é certo, mas era eu! Ao meu lado, num cabrio estilizado, uma mulher e duas crianças seguiam uma tabuleta que apontava para Londres. Os poemas sucediam-se com palavras repetidas: “amor”, “papá” e outras mais prosaicas que evocavam os tempos de faculdade.

Senti-me a desfalecer. Lancei as mãos ao assento da cadeira para me equilibrar. O livro acabou por cair aberto com a capa e contracapa para cima, como que a esconder-me a sua verdade. Levantei-me e, com passos cuidados e inseguros, caminhei até ao balcão. O recepcionista observava-me disfarçadamente num treino próprio de quem zela por outros.
- Desculpe, pode dizer-me em que quarto estou?
- Um momento... hmmm... no 312... sim, definitivamente, no 312!
- Pode parecer-lhe estranha a pergunta, mas qual o nome em que estou registado?
- Não está!
E sorriu placidamente como se me conhecesse há muito.
- Como é? Não estou?
- Como sabe nunca o inscrevemos por causa do registo de polícia...
- Da polícia?
- Sim. Passa-se algo?

Agora tudo se movia a uma velocidade estonteante; eu e o recepcionista estávamos no centro do carrossel e as cadeiras, sofás, quadros, tapetes e restante mobília rodavam ao som do vento a bater em portadas soltas. Senti-me enlouquecer.

Inesperadamente, como num qualquer espectáculo menor, vejo-a surgir num dos cantos da sala em movimentos sensuais seguidos por um projector. Tudo isto era demais, mesmo para mim que me considerava o último atol do pacífico.
- Promete-me uma coisa!
Dispara a frase sem me dar tempo de me recompor.
- Quando vieres para os teus hotéis, não me deixes sozinha.
Lancei-me sobre o balcão e apanhei o registo dos quartos. Nenhuma referência ao quarto 312, nenhuma! Ao fechar o registo confrontei-me com o óbvio. Eu trabalhava ali, mas como?
Olhei para trás e junto à cadeira ainda laranja e transparente, ainda emparedada contra a muralha branca, nada, nem vestígio do livro caído!

A pancada veio de pronto; primeiro no peito, depois em todo o corpo. Senti-me projectado para cima na direcção de uma luz tão intensa que me cegava. Perdi as referências e neste caos não era o medo que me tomava, antes o espanto.

- Olá!
Senti-me no vazio, agora era a escuridão que dominava.
- Bom-dia!
Entreabri os olhos e mirei a silhueta debruçada sobre mim. O fim-de-semana ia acabar e com ele a curta viagem ao Alentejo. Virei-me de lado para me espreguiçar melhor. No chão, ao lado da cama, o meu saco deixava antever um livro do curso de psicologia. Seria hoje que a confrontaria com a evidência; afinal ela era casada e tinha filhos. O problema não era a mentira, mas sim eu fazer parte dela.



Por falar em absurdo, muitas estórias são assim!


Nota à navegação: os personagens desta estória são ficcionados. Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência. O produtor reserva-se o direito de se defender se lhe atirarem livros! :D
Aliás, desafio-vos a interpretar o final da estória. De facto, pode ser o que quiserem.