Eu penso, tu pensas, ele pensa... pensemos!

Prólogo: Num discurso breve, discorro das empresas ao sentido da vida. Uma viagem à inovação.


É possível gerar boas ideias, fazer com que as empresas portuguesas utilizem melhor um recurso escasso, a criatividade?

Algumas já o fazem! Aliás, muitas de forma absolutamente fortuita. Por exemplo, o diferencial que obtivemos como nação com o multibanco só foi possível com a nacionalização dos bancos. Não tivéssemos tido essa aberração societária e hoje teríamos um sistema por banco, à semelhança de muitas outras realidades comezinhas.

Alguém tinha pensado nisto? Vivemos num país em que se desconhecem os grandes números, em que conversas de café se transformam em verdades científicas absolutas. Basta um jornalista por perto...

Aliás, a própria ciência é uma abstracção, algo que inventámos para nos justificarmos. De facto (postulado), não há factos mas sim observações, não há leis mas sim interpretações.

Parti um copo. Ok! Um facto? Não! Tu não viste, mas admites. Eu observei-o, mas nada garante que a minha observação esteja correcta.

Ah! E se a lei é determinante, conclusiva e sem margem para especulação é, assim, a antítese da evolução. Quantas leis são postas em causa? Será a velocidade da luz constante? Na verdade, o que fazemos são interpretações sobre observações, daí o erro, daí esta constante necessidade de evoluir.

Num estudo recente concluiu-se que só 2,6% da população contribui para o avanço da humanidade. O resto são ruminantes, serão? Não, mantêm a máquina a funcionar, preferem um papel definido a assumir risco.

O espantoso, em jeito de conclusão, é pensar que os génios já não fazem sentido pois a comunidade global interage como um todo, sendo ela própria um génio que produz avanços inimagináveis. Contudo, "la piéce de resistence" é a criatividade, algo que o QI não avalia e que é a chama que desencadeia a queda de um dominó que só espera um empurrão. A genialidade será sempre o gatilho desta evolução mais globalizada, mais acelerada, mais arriscada.

A criatividade é o recurso mais escasso pois é dele que inovamos, que evoluímos, que encontramos as respostas para as nossas angústias. Haverá maior criatividade do que inventar um Deus? :)




Branco e porquê, porque não tem solução... já está resolvido! ;)


Nota: esta reflexão tem dois axiomas.

1º axioma: conversa entre um administrador e um director:
Dir: não vou fazer isso assim porque sei que não funciona, tenho 18 anos de experiência!
Adm: equívoco seu! O senhor tem um ano de experiência e 17 de fazer merda...

2º axioma: na vida, o que interessa não é a experiência mas sim os casos de sucesso.



Smooth jazz para rádios e não só... relaxe total! O sax é a voz...

11 comentários :: Eu penso, tu pensas, ele pensa... pensemos!

  1. e muitas dessas "cabeças" emigram :( é uma pena!

  2. Saltos: é verdade, muitas emigram. Por incrível que pareça, hoje emigram mais pessoas em número do que nos anos 60 quando portugueses rurais "fugiam a salto" da guerra colonial... dá para acreditar? Aliás, Portugal é o país da Europa com mais licenciados desempregados per capita. E ainda falam na falta de investimento no capital humano... o que falta são as condições para que as pessoas se domiciliem cá, criando programas específicos ao nível científico e empresarial para se criar mais valor.

    Falta-nos um modelo de desenvolvimento para Portugal que, do ponto de vista estratégico, seja sufragado pela maioria dos partidos políticos.

    Contudo, devo-te dizer que a saída de cérebros não é má para o País. Pensa na Índia. A vantagem competitiva que hoje têm resulta da Diáspora intelectual, da possibilidade que muitos tiveram de se especializar fora e agora regressar.

    Um exemplo para Portugal. Dizem que formamos médicos a mais. No entanto, faltam 4 milhões de médicos no planeta. Claro que este valor tem em conta toda a população, incluindo os países subdesenvolvidos. Mas se pensares nos EUA onde cerca de 46 milhões de pessoas não têm acesso à saúde pois eles não têm SNS e só estão protegidos os que tiverem seguros de saúde. Imagina, agora, que o Obama resolve criar uma sistema assistencial (qualquer que seja o método de financiamento) para esses concidadãos. Estima-se que seriam necessários cerca de 250.000 médicos! Voltemos a Portugal; se continuarmos a investir em termos mais médicos, mais dentistas, mais enfermeceiros estamos a criar serviços a nível global. Poderá haver maior vantagem, ter profissionais satisfeitos a fazerem o que gostam e a mandar divisas para Portugal?

    Em conclusão; vivemos numa aldeia em que tudo está próximo. A próxima geração de aviões é de tal forma revolucionária que distâncias entre Lisboa e Sidney serão comparáveis às que hoje temos com Londres.
    Somos ainda o sétimo País com maior Diáspora, 5 milhões de pessoas, cerca de metade dos residentes.
    Ter ex-patriados (soa muito melhor do que emigrantes!) de nível 5 (licenciados no mínimo) é uma vantagem que não podemos desperdiçar!

    Uma experiência multicultural, com maiores perspectivas profissionais é algo que ninguém deve descurar, nem tu.

    O mundo é hoje uma aldeia. Já não se comparam países mas sim cidades. Não te interessa saber se vais viver nos EUA, Reino Unido ou Espanha. Comparas, isso sim, Nova Iorque com Londres e Barcelona. As cidades têm hoje níveis de atractividade tais que ninguém se sentirá fora de casa, sobretudo se o trabalho for "brain" e não "working labour".

    Praga é já ali ao alcance de uma "low cost". Boa ideia, tenho de marcar um fim-de-semana lá, a cerveja é óptima! ;)

    Beijos

  3. Ola, como não sei se passas pelo meu blog, decidi deixar te aqui um link pra um documentário ao qual assisti hoje no google vídeo. Estou a deixar-te o link (assim como a todos aqueles que conheço ) porque acho que todos vale a pena saber aquilo que passa a nossa volta.

    http://video.google.com/videoplay?docid=-1717800235769991478&hl=pt-BR

    Beijinhos, fica bem.

    P.S. caso não consigas chegar através do link, podes procurar pelo nome de Earthlings.

  4. Afrika: vi o vídeo, uma hora e tal... mas valeu a pena, é um bom documentário e abre consciências. Um tema que tenho de abordar aqui, para "pensar alto".
    Vou passar no teu blogue mais tarde porque agora vou dar um mergulho. Aproveitei a digestão para ver o vídeo! :)
    O Algarve está óptimo! :P
    Beijos

  5. Nota à navegação: este é um tema importante, que nos deve questionar. Será que ninguém quer pensar? Não acredito... aqui é que os comentários fazem sentido!
    Aposto que estão todos em férias! :P
    Beijos e abraços

  6. Caro Aprendiz, inicio perguntando-te se acreditas em estatísticas?
    Achas mesmo que é necessário que alguém reconheça o bem feito para que sejamos contados como um bem-feitor da humanidade?
    Hum... tenho lá minhas dúvidas a respeito disso.

    Concordo e muito com a frase "Aliás, a própria ciência é uma abstracção, algo que inventámos para nos justificarmos. De facto (postulado), não há factos mas sim observações, não há leis mas sim interpretações."

    Inventamos deuses e teorias científicas.
    Talvez por isso não seja possível medir a genialidade em números.

    A tua resposta ao primeiro comentarista foi uma aula sobre algumas questões lusitanas. Desconhecia muito sobre o que escreveste.

    E sobre o texto de forma geral, lembrou-me muito Descartes: Cogito ergo sum e a dúvida metódica, que faz com que seja necessário duvidarmos de tudo para chegarmos ao conhecimento verdadeiro (ele existe?).
    Lembrei-me também de Bacon e a noção de ídolos (ídolos da tribo, ídolos do teatro, etc...) que pode prejudicar nosso conhecimento real sobre as coisas.

    Nossa! Ache que exagerei nas elocubrações.
    Mas, é sempre bom poder divagar.

    Ah! A música é perfeita. :)

    Beijo.

  7. Um senhor chamado Osho, disse um dia:

    A criatividade é a maior forma de rebeldia da existência.

    E eu, aqui do meu poleiro assino em baixo... há realmente existências mui insípidas, realmente o problemático é q ás vezes até são consideradas grandes inteligências... mas ai vamos para outro campo, melhor ficar por aqui... estou a ouvir o senhô Jorge e a Ana Carolina, numa varanda em plena Gracia em Barcelona, computador nos joelhos, café ao lado, um must meu caro, um must!

    :)

    PQP para algumas gentes.

    Desculpa o mau humor, hoje estou feliz!

    KissKiss from Spain!

  8. Nota: vou jantar, respondo nas próximas horas... se estiver sóbrio (não confundir com ébrio!)!

  9. Teia: as estatísticas não são tudo, mas é melhor do que especular. Aliás, uma pessoa com a cabeça num forno e os pés num frigorífico está a uma temperatura média agradável... :D

    Tenho dúvidas que um bem-feitor da humanidade persiga o reconhecimento. Ele preferirá o anonimato, acho. O problema é que hoje será impossível fugir aos Média.
    Mas indo directamente à tua pergunta, sim, a história tem mais estórias do que histórias, infelizmente. Um bom exemplo são os conflitos entre nações. Da história rezam as memórias dos vencedores. Repara só no que se passou na 2ª guerra mundial. Churchill cometeu, a meu ver, uma das maiores atrocidades da guerra (se não a maior). De facto, quando a Alemanha já estava a perder a guerra e se adivinhava um fim rápido, mandou bombardear Dresden com bombas de fósforo. Morreram mais de meio milhão de pessoas. Hans Helmut Kirst que escreveu sobre esse período relata num dos seus livros um episódio que nunca esqueci. Uma escola primária onde todas as crianças estavam petrificadas nas carteiras; uma Pompeia moderna. E porquê? Porque a Inglaterra (que amo) pretendeu vingar os seus mortos... Dresden, à semelhança dos campos de exterminação, devia ter mantido uma zona destruída com esta realidade para que a humanidade nunca se esquecesse do que foi a guerra.
    Mais tarde Churchill veio a ganhar prémio Nobel da Literatura... pelas suas memórias que são, em boa verdade, notáveis. Só tem esta mancha, mas que não deixa de ser um crime contra a humanidade!

    Boa lembrança, a de Francis Bacon, de facto!
    Ele que foi o primeiro a aperceber-se que nenhum outro conhecimento evoluiria sem a "purificação" do intelecto pois este encontra-se viciado em diversos erros (os ídolos), que introduziu a Razão em contraponto com o Mágico, achava que "os sistemas filosóficos não passam de peças teatrais, representadas num mundo irreal, pois são mais elegantes e compactas que a realidade". Tem toda a razão, sobretudo quando afirma que a natureza supera o homem. Bons postulados que serviram para avançarmos no pensamento científico e não só.
    Acho o Bacon um propedêutico obrigatório para se compreender a ciência e a filosofia. Nada se esgota nele, mas é um dos "fundamentals", sem dúvida.

    A verdade, para mim, é um conceito humano, claramente um ídolo do teatro, não que ela não exista, mas o seu postulado está errado. A haver verdade ela teria de ser igual para todos. Nietzsche dizia que a verdade é um ponto de vista.
    A metafísica ocupa-se com a natureza da verdade, a lógica ocupa-se coma preservação da verdade e a epistemologia ocupa-se com o conhecimento da verdade, mas a filosofia estuda a verdade sob diversos prismas. O verdadeiro e o falso, os portadores da verdade, etc.
    Na senda do que escrevi no post, esta não é uma questão que me angustie, mas sei que ela nunca será resolvida.

    As lucubrações são sempre positivas, desde que não seja passar a noite a estudar! :D Eu também fiz bastantes; mas pensar faz bem ao espírito, situa-nos no espaço, tempo e conhecimento. Afinal, eu não ando aqui por andar e tu também não. Assim como temos por obrigação tratar bem do nosso corpo, não temos menor responsabilidade com a nossa mente!

    Beijo


    P.S. para quem quiser saber mais sobre Francis Bacon (não tu, Teia), tem aqui um belo texto.

  10. O2: Osho é um título de reverência concedido a certos mestres na tradição Zen do Budismo (wikipedia). O Osho a que te referes, o indiano Bhagwan Shree Rajneesh é bastante polémico. É um bom exemplo do "faz o que eu digo mas não faças o que eu faço"!
    Na verdade, esse senhor fez uma tentativa de contaminação por salmonela dos cidadãos de Dalles o que o levou a ser expulso dos EUA. Mais um ganancioso (tem uma fortuna assinalável) que se serve da palavra para vender a sua marca.
    A biografia dele explica-o bem! Podes encontrar mais detalhes aqui; simplesmente demencial, a ser verdade.

    Contudo, concordo plenamente com a frase citade. Uma grande verdade!

    Infelizmente a maior parte das estórias é feita do faz de conta, pequenas mentiras que não alteram a "verdade" global mas que produzem vantagens indevidas.
    PQP para eles e dito bem alto sem vergonha ou pudor! :D É assim que gosto de ser; falar com paixão sem perder a razão, embora as pessoas que falem sem paixão pareçam ter razão...

    Estás a ouvir Seu Jorge e Ana Carolina? Acreditas que acho "Quem de nós dois" a música mais romântica em português de sempre. A letra é genial e a música não lhe fica atrás. Enjoy!

    Estás feliz! :) Que bom, aproveita, sê feliz, isso contagia, até a mim! :)

    Adoro Barcelona, mas como eu "vivo" entre Lisboa, Londres e Barcelona, estas cidades ficam sem a mágica que se tem quando as visitamos sem compromissos. Mas adoro-as, todas! :)

    Beijos para ti e abraços para a alma gémea, só pode ser o H, pois junto com O2 dão os 3 caracteres que dão razão à vida! ;)
    (uma ideia para um sorriso dele :)

  11. O2: escrevi "citade" em vez de "citada". Que se lixem os erros, fica o sotaque do Eanes... que não o meu! Hahahaha!

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