(Atenção! Português vernáculo, impróprio para mentes sensíveis...)
Não paro de me surpreender com a versatilidade da língua portuguesa, sobretudo quando usada por brasileiros. Esqueçam, nunca conseguiremos batê-los nas expressões idiomáticas. Há beleza e força nas expressões como "Porra nenhuma!" para a denúncia, "nem fodendo!" para a negação, "vai tomar no cu!" para o insulto. Por contraponto nós temos uma das piores; "caralhos me fodam!" que é dita sem consciência do conteúdo, somente superada pelo "you're a pain in the ass!" onde se indentifica o sujeito... No geral preferimos o calão porra, merda, azeiteiro, badalhoca e outros tantos vocábulos que servem de sinónimos de qualquer palavra e que chegam a substituir frases inteiras. Um simples "foda-se!" pode querer só dizer "caramba!", mas um "fooooooda-se!" já pode querer dizer "aquele gajo mandou uma pastilha de moto a 200 à hora e conseguiu levantar-se sem um arranhão! Teria sido trágico pois tem mulher e três filhos. Que sorte!". Esta economia na linguagem ainda não foi conseguida no trabalho, mas é um bom mote para o aumento de produtividade. Imaginem um telefonema com um dos interlocutores a economizar; "está... merda... foda-se... ide todos pró caralho!"; não só mostrou sem hesitação ou margem para dúvidas o que pensava sobre o assunto como, ainda, tomou decisões. Será possível pedir mais?
Deixo aqui uma música essencial para quando quiserem mostrar desencanto com os políticos, contestar a falta de incentivos à vossa empresa, manifestar a dificuldade de progressão na carreira, informar o engano com a cara metade, demonstrar a perplexidade com uma atitude, preço, etc.
Melhor do que um livro de auto-ajuda... hahaha!
P.S. É desta que perco a audiência toda! :D
Nota: O vídeo teve quase 14 milhões de visualizações...
Sexta-feira dia 13
Há coisas fantásticas! Pessoas que perseguem outros por IP ao longo da net, que confundem histórias passadas com recentes, que fazem sua as causas de outros e procuram vítimas, enfim, as novas tecnologias prestam-se a tudo, até à estupidez. Ainda bem que assim é, pelo menos confirma-se que a desconfiança é por si só uma doença. A net é o melhor meio de diagnóstico, a esquizofrenia e a doença bipolar deixam rasto, mas não tratamento. A crise também assola a net, falo da camada emergente da sociedade que valoriza o virtual em detrimento do real. Há gente muito só! Deve ser do dia, mas faz sol, e que sol, há que aproveitá-lo!

Onde está o Wally... ou será o Freddy Krueger?
P.S. O post retrata uma história de terror ficcionada, digna da data de hoje!
Onde está o Wally... ou será o Freddy Krueger?
P.S. O post retrata uma história de terror ficcionada, digna da data de hoje!
Roland
Tenho um piano digital em casa. Comprei-o por impulso; alguns anos mal estudados no conservatório e a vontade tremenda de tocar ajudaram à loucura.
Fui à net e li tudo o que me foi dado a ver sobre pianos digitais. Após longa triagem cheguei ao Roland RD-700. Oitenta e oito teclas com contrapesos para permitir a mesma pressão e retorno de uma tecla de piano. Centenas de instrumentos e acompanhamentos, divisão do teclado em dois permitindo dois instrumentos em simultâneo, ritmos estonteantes, capacidade de expansão com novos instrumentos e entrada e saída Midi. Estava conquistado embora me tivesse entusiasmado com os Yamaha e os Korg.
Às vezes olho para ele, provoca-me, como se me perguntasse o que está a fazer aqui. Tenho tocado pouco, um facto, mas não lhe vou dar descanço. Apetece-me! Os vizinhos não se podem queixar, tenho auscultadores...
A única semelhança é o piano...
Fui à net e li tudo o que me foi dado a ver sobre pianos digitais. Após longa triagem cheguei ao Roland RD-700. Oitenta e oito teclas com contrapesos para permitir a mesma pressão e retorno de uma tecla de piano. Centenas de instrumentos e acompanhamentos, divisão do teclado em dois permitindo dois instrumentos em simultâneo, ritmos estonteantes, capacidade de expansão com novos instrumentos e entrada e saída Midi. Estava conquistado embora me tivesse entusiasmado com os Yamaha e os Korg.
Às vezes olho para ele, provoca-me, como se me perguntasse o que está a fazer aqui. Tenho tocado pouco, um facto, mas não lhe vou dar descanço. Apetece-me! Os vizinhos não se podem queixar, tenho auscultadores...
A única semelhança é o piano...
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Aprendiz
12/03/2009
11:18
Diatribes
Esta semana foi pródiga em futebol. Senão, vejamos... Pinto da Costa foi acusado de ter estado em casa da irmã da Carolina Salgado e de lhe ter pago 500 euros para prestar falsas declarações. Pelo currículo de Carolina é evidente que a irmã não podia declarar no IRS o que cobrava em casa ao ex-cunhado, mas tratando-se de gémeas até se compreende... este despautério desconcentrou os jogadores do Sporting que, como sabemos, têm uma grande devoção pelo presidente do Porto, em particular Postiga e Derlei. O Sporting perdeu por 0-5 em casa e por 7-1 em Munique. Gosto do altruísmo de só se marcar um golo na casa do adversário; há que jogar com tranquilidade... como a que se vive hoje em Angola. Vendo a oportunidade, o ex-presidente do Benfica Vale e Azevedo recebeu um milhão de euros do presidente da Unita... mas não os devolveu, pensava que era gasosa... razão bastante para a vinda a Portugal de Eduardo dos Santos, apreciador de bebidas gaseficadas e de outros luxos, a quem Cavaco garantiu que o Mantorras iria participar no Rally de Portugal...

(1) Foto: o "fotobolista" não se vê, mas está lá...
(2) Gasosa em Angola representa a comissão pessoal que se paga adicionalmente ao serviço prestado...
(3) No futebol tenho dois amores; Académica no coração e Porto na razão, mas juro que não conheço a Carolina... nem a do Mónaco!
P.S. Este post está muito cáustico! Deitem-lhe água, mas não batam muito no ceguinho! :D
Radical por radical...
Verdadeiramente radical...
Impossível de repetir...

(1) Foto: o "fotobolista" não se vê, mas está lá...
(2) Gasosa em Angola representa a comissão pessoal que se paga adicionalmente ao serviço prestado...
(3) No futebol tenho dois amores; Académica no coração e Porto na razão, mas juro que não conheço a Carolina... nem a do Mónaco!
P.S. Este post está muito cáustico! Deitem-lhe água, mas não batam muito no ceguinho! :D
Radical por radical...
Verdadeiramente radical...
Impossível de repetir...
Ineptos
Um homem independente tem, por isso mesmo, bastantes limitações. Basta termos casa própria para nos sentirmos perdidos. Ensinaram-nos que a lida doméstica seria tarefa de outras, que não nos teríamos de preocupar com essas chatices quotidianas. Depois crescemos e sentimos a realidade dura e crua. Regressar à casa da mamã estava fora de questão, restava o recurso ao outsourcing... a empregada doméstica, essa incompetente bem paga que mal vemos e que nos guarda as jóias a contra gosto. Nem tudo é mau, ganhamos qualidades de gestão: contratação de serviços, planeamento de tarefas, gestão de stocks, controlo de tempos e qualidade, e gestão de tesouraria. E pagamos para quê? Meias que nunca conheceram os seus pares, pó que teima em conquistar todos os cantos da casa, roupa que tomba da despensa sempre que se abre a porta, frigorífico delapidado das suas melhores iguarias e, não raras as vezes, um extracto telefónico com números a quem nunca conhecemos a cara. E como comunicamos? Evita-se o contacto directo, dele resulta geralmente indisposição e necessidade de novo recrutamento. Uma folha escrita com caligrafia visigótica na banca da cozinha confirma as horas despendidas e relembra necessidades mais espartanas. Ainda hoje me surpreendo nos supermercados; a diversidade de produtos e funcionalidades é apetitosa; depois de ler as qualidades de um detergente tive impulso para o provar! Fiquei pelo desejo, hoje opto pelas cores e assim garanto a harmonia da estética do lar. A Zulmira, nome da última reumática que se arrasta pela casa, queixa-se que estraga as mãos, que eu devia comprar amaciador; calculo que seja por isso que as minhas camisas preferem os cuidados da "Cinc a Sec"... manias! Regresso agora a casa; sei que ao abrir o correio encontrarei avisos que me notificarão que ninguém esteve em casa para os recepcionar e, eventualmente, algo que terei de levantar urgentemente. Ah! Zulmiras deste mundo, o que seria de nós sem os vossos préstimos?

Espero que a esteja a desfazer...
Espero que a esteja a desfazer...
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Aprendiz
09/03/2009
19:31
Grito
Música para acompanhar o texto. Outros tempos, o mesmo grito...
Estava de saída. Cumprimentei o porteiro como sempre faço. Ele lembrou-me que o carteiro já passara e que tinha correio fresco, que não o esquecesse. Adoro esta deligência, considero-a um pequeno privilégio de um homem adorável. Trabalha no prédio há 30 anos, desde que ele existe, mantém a discrição e gentileza própria de um bomem humilde e bom.
Abri a pequena caixa, uma só carta sem remetente, selo ou algo que a distinguisse de um mero envelope. O porteiro assegurou-me que tinha sido o carteiro a deixá-la. "Estranho, muito estranho", pensei. No interior da carta encontrei um convite. "Lello & Irmão tem o prazer de o convidar para a apresentação de Grito, um livro de um seu conhecido que pretende reservar anonimato mas que faz questão da sua presença". A data de apresentação era a de hoje pelas 21h. O papel era timbrado, escrito à mão e tinha uma assinatura ilegível mas de traço elegante. "De quem será o livro, como vou de Lisboa ao Porto num dia de trabalho? Conduzo durante o jantar? Valerá o desafio?", estas e outras perguntas assaltavam-me o espírito.
Na carta havia um número de telemóvel para o qual telefonei e de onde recebi a confirmação do evento; há anos que a Lello não fazia uma vernissage como a de hoje, o convite era irrecusável. Acabei por aceitar o repto.
Não seriam seis da tarde e fiz-me à estrada. Chegaria antes das nove e aproveitaria uma estação de serviço para comer algo. Assim o fiz. Durante a viagem recebo um SMS. Sem a segurança devida resolvo consultá-lo em condução, bastou-me para isso reduzir a velocidade que ia muito acima do limite permitido por lei. "Ao chegares pergunta por Decus in Labore". O meu latim é péssimo, "O trabalho honra", tradução livre e não isenta de erro. Se tinha curiosidade agora temia a burla, o gozo de alguém.
Eu estudei no Porto por opção. Quis conhecer a capital do norte, perceber as suas gentes, ficar com uma abrangência diferente deste Portugal. Tive essa sorte. Do arrojo ficaram-me amigos e memórias. Circular no Porto dispensava o uso de GPS, pelo menos para os locais familiares, aqueles que frequentei como este que agora me chamava.
É impossível não sorrir quando se olha a fachada da livraria. Sempre achei que o Porto e Gaia têm melhores exemplares de Arte Nova do que Lisboa. O norte é mais exuberante do que o sul; as hipérboles na linguagem são a prova viva de um povo extrovertido, com o coração na boca, é o que temos de mais parecido com as gentes brasileiras mas sem os excessos na relação (1).
Entrei neste espaço quente, de madeira torneada, com escadas labirínticas vermelhas a evocar aventuras fantásticas dispersas nas estantes dos dois pisos. Imaginei J. K. Rowling, que ensinou e foi mãe no Porto, a conceber neste cenário os primeiros traços do mundo mágico de Harry Potter.
Dirigi-me ao balcão, mesmo ali à entrada do lado direito. Tudo parecia normal, clientes a entrar e a sair, outros a vaguear absortos em pesquisas cuidadas que faziam aqui e ali, mas nada, mesmo nada que indiciasse festa. Mostrei timidamente o convite. O espanto maior veio do funcionário que ainda tentou confirmar com uma colega se estaria errado. Mas não, nem o livro conhecia. Atrevi-me a perguntar o que era Decus in Labore. O rosto dele iluminou-se, seria útil e o cliente não teria vindo em vão. "É a nossa divisa, se subir ao primeiro andar poderá ver o nosso monograma com a divisa no vitral do tecto!", disse entusiasmado.
Subi as escadas, dois lances que desafiam a física pois criam perspectivas impossíveis. No primeiro piso olhei o tecto. Tudo se confirmava. Mas porque estava eu ali?
Alguém se aproximou de mim. Não teria mais de 20 anos. Sem dizer palavra deu-me para as mãos um pequeno livro e, de pronto, desceu as escadas. Cheirava a myosotis, há cheiros que não se esquecem. Nunca mais a vi.
Abri o livro. Páginas e mais páginas em branco. Folheei-o novamente. Nada! A frustração era grande e quando me preparava para fechá-lo caiu no chão uma pequena folha que me escapara na análise. A letra era a mesma do convite. "Não é um livro em branco. Tem um grito preso nas páginas que aqui estão, está encurralado e só tu o podes libertar!". Pensei na divisa, "Decus in Labore". O meu editor tem estranhas formas para me confrontar com a minha produtividade, mas teria tema, definitivamente! O grito era dele, o trabalho era meu. Hoje seria eu quem pagaria o jantar e já o via a sorrir junto à entrada. Seria fome?
A Myosotis desafiou-me a escrever sobre uma livraria que desconheço. Quando for ao Porto vou visitá-la!
(1) Neste texto menciono o Brasil, mas não de forma depreciativa como se poderia pensar numa primeira leitura. Como disse num comentário à Cris, adoro o Brasil, mas acho que tanta alegria não se reverte sempre em amizades reais. Há de tudo, como cá, mas penso que a minha análise não é exagerada se falarmos em médias.
And now for something completely different
Não, não vos vou falar dos hoje dos Monty Python, talvez amanhã ou noutro dia, mas vou-vos mostrar um vídeo imperdível, uma lição que escapa à natureza portuguesa, e assim à minha, que devia ser de visionamento obrigatório no liceu, universidade ou em qualquer lugar onde se preparem pessoas para a vida.
Hoje apetece-me falar de algo verdadeiramente útil e que em tempo de crise tem valor acrescentado. TIME MANAGEMENT, i.e. gestão do tempo. Devem estar a rir-se, a pensar que não têm tempo para estudar a gestão do tempo, que tudo isto é blá-blá-blá na senda dos livros de auto-ajuda, um devaneio. Desenganem-se, isto não tem a ver com a auto-estima, tão somente com organização, com um conjunto de regras que nos auxiliam a ter mais tempo para nós. Uma hora e dezasseis minutos de informação que vos podem oferecer muitas horas úteis na vossa vida para serem gastas como quiserem ou, na perspectiva dos economistas, aumentar a vossa curva de utilidade.
Mas quem é o Speaker, e não falo do filme oscarizado, perguntarão? Randolph Frederick Pausch, com o "petit nom" de Randy, mundialmente famoso por ter assumido um cancro terminal e ter feito dos seus dois últimos anos um hino à vida. Já é lendária a sua última aula na universidade Carnegie Mellon, mais tarde alargada e publicada em livro, intitulada Really Achieving Your Childhood Dreams.
E agora divirtam-se, aprendam, tirem notas, aproveitem. É de sabedoria que se trata, embora num registo "cool", e ainda bem!
Dura 1h16... vejam com tempo e sem stress!
Hoje apetece-me falar de algo verdadeiramente útil e que em tempo de crise tem valor acrescentado. TIME MANAGEMENT, i.e. gestão do tempo. Devem estar a rir-se, a pensar que não têm tempo para estudar a gestão do tempo, que tudo isto é blá-blá-blá na senda dos livros de auto-ajuda, um devaneio. Desenganem-se, isto não tem a ver com a auto-estima, tão somente com organização, com um conjunto de regras que nos auxiliam a ter mais tempo para nós. Uma hora e dezasseis minutos de informação que vos podem oferecer muitas horas úteis na vossa vida para serem gastas como quiserem ou, na perspectiva dos economistas, aumentar a vossa curva de utilidade.
Mas quem é o Speaker, e não falo do filme oscarizado, perguntarão? Randolph Frederick Pausch, com o "petit nom" de Randy, mundialmente famoso por ter assumido um cancro terminal e ter feito dos seus dois últimos anos um hino à vida. Já é lendária a sua última aula na universidade Carnegie Mellon, mais tarde alargada e publicada em livro, intitulada Really Achieving Your Childhood Dreams.
E agora divirtam-se, aprendam, tirem notas, aproveitem. É de sabedoria que se trata, embora num registo "cool", e ainda bem!
Dura 1h16... vejam com tempo e sem stress!
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Aprendiz
05/03/2009
07:00
The Wrestler

Ando a dias, como algumas mulheres, num ritmo tão frenético que me esqueço de mim. Enquanto jantava prometi a mim mesmo que iria ao cimena. Regressei ao escritório com a certeza que o bilhete me auferia: The Wrestler/4-3-2009/00:15.
Contei com o tempo das aprentações e cheguei ao cinema uns 10 minutos atrasado, não mais. Não encontrei ninguém para me receber. Passei a barreira de fita vermelha que barrava o corredor de acesso a várias salas e procurei a minha.
Abri a porta e desviei a cortina. A sala estava na escuridão, interrompida somente pelas legendas da apresentação do filme. Esperei por mais luz. Et voilà! Mickey Rourke na tela com o aspecto sebento e gasto que o papel requeria de um lutador de wrestling decadente. Olhei ao redor e não vi vivalma. Nessuno! O cinema seria só meu, desejo que dispensava pois preferia o conforto de algumas sombras e tosses que partilhassem o momento. O filme que tem a dimensão que o personagem lhe dá, nem mais nem menos, tornou-se assim épico. Um espectador cansado numa catedral só sua a presenciar uma tragédia pessoal, banal, onde o orgulho do personagem leva a um desfecho pouco normal para um filme de Hollywood. Entrei só e saí triste. Queria repousar as ideias e ofereceram-me angústias alheias. Fui para casa a pé, benefício que não desprezo, a pensar na vida, no sentido desta, da minha. Este é um egoísmo que guardo para mim.
Se aconselho o filme, claro! Se o voltaria a ver, não. E percebi a razão para ele não ter ganho um óscar; passou mais de metade do filme a ser filmado por trás, literalmente, e o público gosta de ver caras. Até eu... que estava sozinho no cinema sem drops de aniz.
A Guardiã dos Sonhos fez um reparo certo, a banda sonora do filme é soberba. Deixo-vos um cherinho...
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Aprendiz
04/03/2009
02:41
Sapatos de Pai
Cheguei ao Nepal numa viagem com demasiadas escalas para serem contadas. Aproveitei as promoções last minute para evitar sobrecarregar os patrocínios já de si escassos. Preparei-me dois anos para este desafio, certamente o maior por que passarei.
Saí do bimotor e ao sentir o vento frio a acariciar-me a cara não pude deixar de sorrir. Estava ali, conseguira! Só eu sabia os sacrifícios, as dores, o treino intenso que suportara voluntariamente para que o meu físico estivesse à altura do repto que me impusera. Nunca me sentira tão bem, tão cheio de mim.
O nome Anapurna é mágico; mulher feiticeira dificilmente se deixará conquistar. O masculino, Katmandu, oferece um labirinto de ruelas estreitas como se quisesse reter o calor que emana das casas. Todos os meus poros respiravam esta atmosfera mágica; dei por mim a assobiar por nada, estava feliz.
Passaram-se quatro dias na preparação da escalada e na recuperação do jetlag. A caminhada foi pacífica até ao sopé da montanha. A partir daqui as dificuldades iriam surgir, sabia-o.
Estava eu sentado junto a um tanque de água quando um monge budista se aproximou. Retirou um cantil por entre o vestuário laranja e mergulhou-o no tanque. A minha cara de espanto deve tê-lo despertado; olhou-me com um sorriso. “A água é potável” disse-me no melhor inglês de Oxford sem perder o sorriso.
Conversámos bastante. Sou bom fisionomista mas inicialmente não lhe reconheci os traços ocidentais, a cabeça rapada também não ajudara. Este inglês já estava há 15 anos no Nepal e vivia despojado dos confortos mundanos. A sua voz pausada combinava com o cenário, era tudo encantamento. Na despedida perguntou-me, “Porque sobes a montanha?”, e eu, procurando parecer profundo e eloquente, disparei a máxima recorrente, “Porque está aí!”. Ele sorriu novamente e disse-me, “Não, tu sobes a montanha porque a podes subir”. Esta frase iria acompanhar-me em toda a minha escalada. Ao fim do terceiro dia percebi que tinha calçado os sapatos do meu Pai.

No texto anterior tinha prometido falar no tema "Get on Your Boots", promessa cumprida.
Saí do bimotor e ao sentir o vento frio a acariciar-me a cara não pude deixar de sorrir. Estava ali, conseguira! Só eu sabia os sacrifícios, as dores, o treino intenso que suportara voluntariamente para que o meu físico estivesse à altura do repto que me impusera. Nunca me sentira tão bem, tão cheio de mim.
O nome Anapurna é mágico; mulher feiticeira dificilmente se deixará conquistar. O masculino, Katmandu, oferece um labirinto de ruelas estreitas como se quisesse reter o calor que emana das casas. Todos os meus poros respiravam esta atmosfera mágica; dei por mim a assobiar por nada, estava feliz.
Passaram-se quatro dias na preparação da escalada e na recuperação do jetlag. A caminhada foi pacífica até ao sopé da montanha. A partir daqui as dificuldades iriam surgir, sabia-o.
Estava eu sentado junto a um tanque de água quando um monge budista se aproximou. Retirou um cantil por entre o vestuário laranja e mergulhou-o no tanque. A minha cara de espanto deve tê-lo despertado; olhou-me com um sorriso. “A água é potável” disse-me no melhor inglês de Oxford sem perder o sorriso.
Conversámos bastante. Sou bom fisionomista mas inicialmente não lhe reconheci os traços ocidentais, a cabeça rapada também não ajudara. Este inglês já estava há 15 anos no Nepal e vivia despojado dos confortos mundanos. A sua voz pausada combinava com o cenário, era tudo encantamento. Na despedida perguntou-me, “Porque sobes a montanha?”, e eu, procurando parecer profundo e eloquente, disparei a máxima recorrente, “Porque está aí!”. Ele sorriu novamente e disse-me, “Não, tu sobes a montanha porque a podes subir”. Esta frase iria acompanhar-me em toda a minha escalada. Ao fim do terceiro dia percebi que tinha calçado os sapatos do meu Pai.
No texto anterior tinha prometido falar no tema "Get on Your Boots", promessa cumprida.
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Aprendiz
03/03/2009
07:00
Why birds sing?
Porque me apetece, porque há um melómano em mim, porque sim, deixo-vos dois vídeos por razões opostas. O primeiro por ser de um grupo incontornável, global, em que a espera por um novo álbum é sofrimento garantido para os seus seguidores. O segundo por ser uma surpresa que nem a criatividade poderia cogitar, música no anonimato; a qualidade poderá não ser a melhor, mas estará certamente muito acima do que era suposto.
Choque entre dois mundos, mas o mesmo propósito, prazer! Só com sonhos se faz história. Deleite puro, ambos!
Para ouvir bem alto e, de preferência, dançar!
Para ouvir baixo (piano) e, de preferência, pensar!
Curioso, o novo CD dos U2 só vai ser lançado na próxima segunda-feira. O tema Get on your boots é uma novidade, a apresentação foi feita aqui... um dia destes coloco um texto sobre este tema!
Choque entre dois mundos, mas o mesmo propósito, prazer! Só com sonhos se faz história. Deleite puro, ambos!
Para ouvir bem alto e, de preferência, dançar!
Para ouvir baixo (piano) e, de preferência, pensar!
Curioso, o novo CD dos U2 só vai ser lançado na próxima segunda-feira. O tema Get on your boots é uma novidade, a apresentação foi feita aqui... um dia destes coloco um texto sobre este tema!
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Aprendiz
01/03/2009
04:49
Desfocado
As luzes começam a esbater-se lentamente. O silêncio acompanha a escuridão a anunciar não a ausência de tudo mas, pelo contrário, o início da novidade. Ouvem-se os rodízios a chiarem com o movimento do pano. O espectáculo vai começar.
Em simultâneo, vários focos acendem-se apontando o céu. Os corpos vestidos de negro que os seguram deslocam-se em movimentos erráticos no palco. Não há mais som para além dos passos descoordenados.
Subitamente, uma cara entra em cena iluminada pelo seu próprio foco, é mulher e não terá mais de 30 anos. A velocidade que imprime no ziguezaguear que faz por entre os outros focos é acompanhada pelos sons espaçados de uma flauta. Pára, lança agora o foco para cima a imitar os restantes. A flauta deixa de tocar como se toda a vida daquele foco tivesse ficado esgotado.
Num passo cada vez mais acelerado aponta agora o foco em frente na procura das restantes caras. A flauta solta sons estridentes no meio de uma melodia pausada. Tristes, felizes, admiradas, indiferentes, são estas as caras que encontra. A sua, porém, nunca sorri. Em desespero pousa o foco, terá desistido? O foco roda sobre si mesmo em solavancos até se deter nos pés de alguém que não tinha luz.
Como é belo aquele corpo iluminado por baixo. Ele, assustado, dá um passo atrás ficando somente com os pés no lusco-fusco. Ouvem-se passos; ela está ao lado dele, os pés iluminados de ambos denunciam-nos. Os outros focos começam a agitar-se enquanto se vão aproximando. A flauta calou-se, ouve-se só o som de um tambor como se de um coração se tratasse.
Os focos estão agora unidos a apontar o céu. Em uníssono e num movimento circular de cima para baixo, concentram-se todos no par enamorado como se a felicidade deste os incomodasse. A flauta solta um som continuado, uma lamúria, enquanto o casal desfalece no palco. Os focos apagam-se, nem todos ao mesmo tempo, a fugir da culpa, evitam a vergonha.
À falta de música para o texto, seria necessário compô-la, deixo-vos este delírio: Opera Diva(*) do filme O Quinto Elemento por Inva Mula Tchako.
(*) "The Diva Dance opera performance featured music from Gaetano Donizetti's Lucia di Lammermoor "Il dolce suono", the mad scene of Act III, Scene I, and was sung by Albanian soprano Inva Mula-Tchako, while the role of Plavalaguna was played by French actress Maïwenn Le Besco. Part One (titled Lucia di Lammermoor) and Part Two (titled The Diva Dance) of this piece are included as separate tracks on The Fifth Element soundtrack, but are sequenced to create the effect of the entire performance seen in the film. The end of Part One blends into the beginning of Part Two, creating a smooth transition between the two tracks."
Em simultâneo, vários focos acendem-se apontando o céu. Os corpos vestidos de negro que os seguram deslocam-se em movimentos erráticos no palco. Não há mais som para além dos passos descoordenados.
Subitamente, uma cara entra em cena iluminada pelo seu próprio foco, é mulher e não terá mais de 30 anos. A velocidade que imprime no ziguezaguear que faz por entre os outros focos é acompanhada pelos sons espaçados de uma flauta. Pára, lança agora o foco para cima a imitar os restantes. A flauta deixa de tocar como se toda a vida daquele foco tivesse ficado esgotado.
Num passo cada vez mais acelerado aponta agora o foco em frente na procura das restantes caras. A flauta solta sons estridentes no meio de uma melodia pausada. Tristes, felizes, admiradas, indiferentes, são estas as caras que encontra. A sua, porém, nunca sorri. Em desespero pousa o foco, terá desistido? O foco roda sobre si mesmo em solavancos até se deter nos pés de alguém que não tinha luz.
Como é belo aquele corpo iluminado por baixo. Ele, assustado, dá um passo atrás ficando somente com os pés no lusco-fusco. Ouvem-se passos; ela está ao lado dele, os pés iluminados de ambos denunciam-nos. Os outros focos começam a agitar-se enquanto se vão aproximando. A flauta calou-se, ouve-se só o som de um tambor como se de um coração se tratasse.
Os focos estão agora unidos a apontar o céu. Em uníssono e num movimento circular de cima para baixo, concentram-se todos no par enamorado como se a felicidade deste os incomodasse. A flauta solta um som continuado, uma lamúria, enquanto o casal desfalece no palco. Os focos apagam-se, nem todos ao mesmo tempo, a fugir da culpa, evitam a vergonha.
À falta de música para o texto, seria necessário compô-la, deixo-vos este delírio: Opera Diva(*) do filme O Quinto Elemento por Inva Mula Tchako.
(*) "The Diva Dance opera performance featured music from Gaetano Donizetti's Lucia di Lammermoor "Il dolce suono", the mad scene of Act III, Scene I, and was sung by Albanian soprano Inva Mula-Tchako, while the role of Plavalaguna was played by French actress Maïwenn Le Besco. Part One (titled Lucia di Lammermoor) and Part Two (titled The Diva Dance) of this piece are included as separate tracks on The Fifth Element soundtrack, but are sequenced to create the effect of the entire performance seen in the film. The end of Part One blends into the beginning of Part Two, creating a smooth transition between the two tracks."
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26/02/2009
16:00
Mula da cooperativa
Carnaval sem vinho é como Verão sem sol...
- Andas com ar cansado! O Carnaval não perdoa...
- Mascarei-me de burro e passei a noite toda a dançar com a Maria que se mascarou de mula.
- Já não tens idade para dançar tanto, homem!
- Dançar foi o menos, não fosse o mau hálito dela e nunca teria percebido que o Manel andava em desacato à procura do animal...
Música para otites, dores de dentes e outras indisposições!
- Andas com ar cansado! O Carnaval não perdoa...
- Mascarei-me de burro e passei a noite toda a dançar com a Maria que se mascarou de mula.
- Já não tens idade para dançar tanto, homem!
- Dançar foi o menos, não fosse o mau hálito dela e nunca teria percebido que o Manel andava em desacato à procura do animal...
Música para otites, dores de dentes e outras indisposições!
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08:00
Caixa de Pandora
Para acompanhar o texto; Sonata ao Luar de Beethoven
O Carocha circulava por entre os plátanos que emparedavam a estrada. A noite mostrava aqui e ali as estrelas que resistiam à noite de luar. Passaram os portões escaqueirados e o caminho levou-os à casa rodeada por um relvado algo descuidado. Numa das alas do jardim um chorão e alguns carvalhos projectavam sombras no relvado subindo, algumas delas, as paredes de pedra da casa centenária em desenhos erráticos.
Entraram e subiram para o quarto sem a pressa que denotasse o ânimo que os movia. A divisão era ampla, demasiado ampla, onde o pé-direito elevado se impunha à decoração minimalista.
Uma parede estava completamente coberta por uma tela que ambos pintaram. Na metade dela surgia uma caixa aberta de onde caíam algumas folhas desordenadas. Uma ampulheta jazia quebrada por cima delas deixando a areia fina escorrer até ao soalho. Ao alto, um céu invulgar projectava cores alegres num movimento inquieto. No canto direito, junto ao que ele pintara, uma for de lótus pendia sobre uma mala envelhecida. O cadeado apresentava uma ranhura em forma de interrogação embora, se se atendesse ao detalhe, se vislumbrasse um sorriso.
As cores dele eram mais escuras, mais pausadas, mas não sem vigor. Um tronco atlético suspendia-se num trapézio já no limite da imponderabilidade. Um dos braços rasgava o céu dela tocando ao de leve o sol com o indicador, num gesto que indiciava cumplicidade mas que se negava a tomá-lo. Da outra mão, firmemente agarrada ao trapézio, caía uma margarida. Por baixo, num parapeito de uma janela aberta, esperava-a uma pequena caixa aberta com a inscrição C.P. Três livros caídos lateralmente, uns sobre os outros, completavam o parapeito. Num deles sobressaía um marcador onde se podia ler distintamente a palavra “lógica”. Mais abaixo, um instrumento invulgar em madeira colmatava o quadro. Percebiam-se as roldanas, as articulações em ferro forjado, mas não a função.
A portada aberta da varanda deixava entrar a luz ténue do luar. Não precisariam de mais. Sentaram-se no soalho e ela agarrou um livro que andava a ler há pouco. Olharam-se firmemente. Ela abriu o livro e, inesperadamente, rasgou com zelo uma das folhas. Dobrou-a com todo o cuidado até a folha não ser mais do que um pequeno quadrado de papel. Agarrou o braço dele e abrindo-lhe a mão disse-lhe, “está tudo aqui…”. Ele cerrou o punho e afirmou, “nunca o vou ler”. Sorriram num olhar que dispensava palavras.
“Eu também tenho uma surpresa para ti…”, ela franziu a testa como se esperasse dele esta provocação. Subiram ao sótão, um lugar só deles, iluminado por uma pequena clarabóia. Ela acercou-se da luz que dali emanava. O rosto cobriu-se de um branco pálido, a desilusão de não vislumbrar algo que procurava.
“O que se passa?”, perguntou-lhe ele num tom indeciso. “Não vejo a lua… era essa a surpresa?”. Ele, sem responder, deitou-se no soalho colocando a cara onde os raios terminavam. Percebendo a intenção, ela debruçou-se sobre o corpo dele e, assombrada, caiu ajoelhada. Os olhos de mel esverdeado eram agora pretos, profundamente pretos. Aproximou-se lentamente da cara dele. Agora tudo era mais nítido; nos olhos cintilavam as estrelas que os raios transportavam, nunca vira um céu assim! Na extremidade de um deles veio o espanto, conseguia ver a lua. E no deslumbramento de a contemplar, a lua soltou-se e escorreu pela face dele. Num movimento delicado apanhou a lágrima com um dedo. Pegou-lhe na mão ainda cerrada e depositou a gota no quadradinho de papel. Sorriu como uma criança e disse-lhe, “agora já o podes ler!”.
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Aprendiz
25/02/2009
07:30
Yamaha 4x4 Wave Runner
Em época de crise, soluções de crise. Para quem vive na margem sul acabaram-se as filas intermináveis na ponte ou a espera pelo cacilheiro. Este brinquedo pode resolver o problema; afinal somos um povo de navegadores! Quem tiver a bússola que dê o primeiro passo! Eu, felizmente, dispenso o brinquedo pois vou para o trabalho a pé... mas neste caso tenho pena! Um brinquedo destes antecipava-me o Verão!
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Aprendiz
07:00
La città - parte 1 (conto)
Veneza nunca fora para ele a cidade mais bela do mundo, mas por razões profissionais fazia dela uma segunda casa. Para além dos fatos e sapatos tudo o resto o entediava. O tom delicodoce de uma língua que precisa de mímica para se compreender na totalidade, o excesso de monumentos, palácios e casas classificadas onde um elevador não pode ser construído se violar a arquitectura original. A falta de comodidades de uma cidade moderna irritavam-no profundamente. Pior só a péssima cobertura celular, pois as antenas retransmissoras estão proibidas no espaço classificado. Pelo menos ganhava a privacidade como vantagem, a qual não desdenhava.
Mas não é disto que vos quero falar. Estamos no Carnaval e ele nunca perde a oportunidade de se fazer notar. Esta bienal terá um novo formato. Veneza está divida em seis “sestieri”; Cannaregio, San Polo, Dorsoduro , Santa Croce, San Marco e Castello, cada um com o seu procurador. Para retirar pressão à praça de S. Marcos decidiu-se alargar a festividade a toda a cidade, como o era desde 1268. Só o mau gosto dos austríacos, aquando da ocupação da cidade, fizeram com que o Carnaval se perdesse e só fosse retomado em 1980.
Mário, íntimo do procurador da Isola Sacca Fisola, ilha que pertence ao "sestieri" de Dorsoduro, sabe que a oportunidade é única. Fisola está ligada por ponte a uma ilha artificial, Sacca San Biagio, onde existe uma incineradora inactiva. Há muito que ele convenceu o procurador a aí construir um hotel de 7 estrelas, algo só comparável ao Burj Al Arab Hotel no Dubai.
A ambição de Giuseppe Dandolo é grande, quer conquistar a câmara e fazer de Veneza "la città"; a imortalidade está há séculos garantida pela arquitectura e canais, mas falta-lhe a modernidade que lhe devolva o bulício que se perdera nos anos 50 com as cheias. Os novos diques são já uma realidade, o investimento para o seu "sestieri" virá misteriosamente das ligações internacionais de Mário. Dandolo persegue a fama.
Mas hoje é dia de festa, não se falará de negócios, dia para os pavões mostrarem as suas caudas, leques acenados a outras máscaras. Ele não fará diferente.
“Egli è qui!”, ela sorria enquanto repetia a frase, a meia máscara dourada que lhe ocultava a parte superior da face garantia o anonimato. O vestido fora talhado para um corpo que não apresentava mácula, o azul turquesa impelia o pensamento para outros mares, recifes e calores. Olharam todos; miúdos, graúdos, eles e elas, e enquanto ela passava, os olhares, também eles escondidos noutras máscaras, iam deixando cair sorrisos espontâneos de quem se deleita com o belo, com o exuberante. Há mulheres assim, onde a química exala para além da necessária troca de olhares. Aproximando-se de Giuseppe disparou, “Un bacio per te amore mio!” o que o deixou verdadeiramente incomodado; como político sempre fora brilhante; o contraditório, a pequena intriga, a troca de favores foram batalhas ganhas, mas perante mulheres belas a timidez tomava-lhe o pulso.
(a continuar)
Mas não é disto que vos quero falar. Estamos no Carnaval e ele nunca perde a oportunidade de se fazer notar. Esta bienal terá um novo formato. Veneza está divida em seis “sestieri”; Cannaregio, San Polo, Dorsoduro , Santa Croce, San Marco e Castello, cada um com o seu procurador. Para retirar pressão à praça de S. Marcos decidiu-se alargar a festividade a toda a cidade, como o era desde 1268. Só o mau gosto dos austríacos, aquando da ocupação da cidade, fizeram com que o Carnaval se perdesse e só fosse retomado em 1980.
Mário, íntimo do procurador da Isola Sacca Fisola, ilha que pertence ao "sestieri" de Dorsoduro, sabe que a oportunidade é única. Fisola está ligada por ponte a uma ilha artificial, Sacca San Biagio, onde existe uma incineradora inactiva. Há muito que ele convenceu o procurador a aí construir um hotel de 7 estrelas, algo só comparável ao Burj Al Arab Hotel no Dubai.
A ambição de Giuseppe Dandolo é grande, quer conquistar a câmara e fazer de Veneza "la città"; a imortalidade está há séculos garantida pela arquitectura e canais, mas falta-lhe a modernidade que lhe devolva o bulício que se perdera nos anos 50 com as cheias. Os novos diques são já uma realidade, o investimento para o seu "sestieri" virá misteriosamente das ligações internacionais de Mário. Dandolo persegue a fama.
Mas hoje é dia de festa, não se falará de negócios, dia para os pavões mostrarem as suas caudas, leques acenados a outras máscaras. Ele não fará diferente.
“Egli è qui!”, ela sorria enquanto repetia a frase, a meia máscara dourada que lhe ocultava a parte superior da face garantia o anonimato. O vestido fora talhado para um corpo que não apresentava mácula, o azul turquesa impelia o pensamento para outros mares, recifes e calores. Olharam todos; miúdos, graúdos, eles e elas, e enquanto ela passava, os olhares, também eles escondidos noutras máscaras, iam deixando cair sorrisos espontâneos de quem se deleita com o belo, com o exuberante. Há mulheres assim, onde a química exala para além da necessária troca de olhares. Aproximando-se de Giuseppe disparou, “Un bacio per te amore mio!” o que o deixou verdadeiramente incomodado; como político sempre fora brilhante; o contraditório, a pequena intriga, a troca de favores foram batalhas ganhas, mas perante mulheres belas a timidez tomava-lhe o pulso.
(a continuar)
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Aprendiz
24/02/2009
09:00
De votos
O veto presidencial à proposta de alteração da lei de voto dos emigrantes é, a meu ver, justa. Não avalio o homem, só a decisão. O Sr. Silva diz-me pouco, como os outros, aliás.
De facto, basta passar num consulado português para se perceber que o voto por correspondência não só diminui custos administrativos, como permite que todos votem. Entrar no consulado de Londres, por exemplo, é ver dezenas de pessoas a solicitar vistos, a renovar documentos, etc. num ritmo que faz dos serviços verdadeiros fast-food documentais. Votar neste caos era não só irresponsável como irreal. Será que os nossos políticos conhecem a rede de consulados portugueses?? Porque não aplicam o Simplex aos consulados?

"Que grande salada! Consulados? Consolem-se!"
De facto, basta passar num consulado português para se perceber que o voto por correspondência não só diminui custos administrativos, como permite que todos votem. Entrar no consulado de Londres, por exemplo, é ver dezenas de pessoas a solicitar vistos, a renovar documentos, etc. num ritmo que faz dos serviços verdadeiros fast-food documentais. Votar neste caos era não só irresponsável como irreal. Será que os nossos políticos conhecem a rede de consulados portugueses?? Porque não aplicam o Simplex aos consulados?
"Que grande salada! Consulados? Consolem-se!"
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Aprendiz
08:00
KidRex
Uma excelente novidade! KidRex é uma ferramenta de pesquisa dedicada aos miúdos, como o nome indica. É o Google com tecnologia de pesquisa segura. Eu testei-a e parece-me muito boa! Só lhe falta a geo-referenciação; i.e. ter um KidRex Portugal.
Agora os pais podem dormir mais descansados. Os filhos também... ai se o meu pai sabe!

Experimentem pesquisar a palavra "kidrex".
Agora os pais podem dormir mais descansados. Os filhos também... ai se o meu pai sabe!
Experimentem pesquisar a palavra "kidrex".
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22/02/2009
16:30
Insónia
Acordei enxovalhado, marcado
por lençóis feitos de tempo,
como se tivesse amado
sem limites, momento a momento,
e no rescaldo houvesse ficado
o palco,
sem texto nem elenco.
Parti para novo sonho, fantasia
por amores que já tive e terei,
e na memória doce azia
me perdi, e se na ilusão amei
já esqueci, não haverá dia,
noite, ou outra sorte; eu sei
que sinto o mar,
desci o rio, eu sabia!
Não sou poeta, nem a tal almejo, recordo apenas um texto antigo que ainda hoje me faz sorrir.
por lençóis feitos de tempo,
como se tivesse amado
sem limites, momento a momento,
e no rescaldo houvesse ficado
o palco,
sem texto nem elenco.
Parti para novo sonho, fantasia
por amores que já tive e terei,
e na memória doce azia
me perdi, e se na ilusão amei
já esqueci, não haverá dia,
noite, ou outra sorte; eu sei
que sinto o mar,
desci o rio, eu sabia!
Não sou poeta, nem a tal almejo, recordo apenas um texto antigo que ainda hoje me faz sorrir.
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Aprendiz
21/02/2009
21:29
Star Trek
Gosto muito de uma boa tertúlia, de estar entre amigos que me façam rir, dispor-me a não indispor! E porque não, um bom contraditório com o bom-senso de não se estender para além do intolerável. Mas nada melhor do que ver mentes brilhantes em confronto, a medir forças intangíveis que só um olhar atento e a capacidade de compreender para além do óbvio permite captar. Deixo-vos um confronto. Não tem legendas, lamento, mas fez-me rir muito, confesso. No meu imaginário o Captain Kirk do Star Trek jamais me faria rir, talvez sorrir. O homem por detrás do actor, William Shatner, é muito melhor!
Esta é a segunda parte da entrevista, a melhor!
Esta é a segunda parte da entrevista, a melhor!
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Aprendiz
08:20
Purple rain
Não seriam mais do que as duas horas da manhã. Nada convidava a levantar-me, nem o conforto nem a hora tardia. Mas há razões que desconheço e que não questiono, deixo-me levar... Vesti-me com a lentidão da irracionalidade que se aproximava. Sapatilhas, calças de ganga, uma T-shirt debaixo de um pullover em lã grossa onde a gola alta de conforto italiano jogava com o desenho alpino que a sustentava. Saio de casa e paro no patamar do meu andar. O silêncio é de ouro neste prédio, nem um ruído, nada. Terão morrido todos numa pandemia qualquer? Que interessa isso quando o que me espera não é melhor... saio do prédio e sinto de imediato o frio na cara. Calço as luvas, coloco o gorro e penso; "esquerda, frente ou direita?". Solto um sorriso, "tropa, era o que me faltava!". Escolhido o destino deu-se a caminhada, em esforço inicialmente, mas rapidamente com a alegria de me aperceber que parte de Lisboa era minha... nada, nessuno, vivalma! Perfeito, ninguém iria interromper esta aventura; a contemplação faz-se de muitas formas, difícil é encontrar razões para a fazer num tempo em que vaguear por vaguear pode ser considerado loucura de indigente. Que se lixe, adoro ser diferente, ignorante... aprendiz! A música que me acompanhou no iPod foi esta, era a que estava mais à mão... depois vieram as esquinas, os candeeiros, as montras, as sombras, as ruas perdidas nos murmúrios de folhas acariciadas pela brisa em árvores que sobrevivem à cidade; há momentos felizes! Caminho, sinto tudo em mim... eu mereço isto!!

Adoro vaguear à noite, hábito que ganhei em Londres... mas hoje sem tabaco nem cão! Não há melhor maneira de se conhecer uma cidade!
Adoro vaguear à noite, hábito que ganhei em Londres... mas hoje sem tabaco nem cão! Não há melhor maneira de se conhecer uma cidade!
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Aprendiz
20/02/2009
04:05
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